Em entrevista prefeito rebate acusações de detento e afirma ser vitima de nova “perseguição política”

O prefeito de Nova Ubiratã, Valdenir José dos Santos, rebateu o teor da carta redigida pelo criminoso Neimar Rosa, preso na cadeia pública de Sorriso por tráfico e assalto a mão armada, que afirma que a prisão de Reinaldo de Freitas e de José Itamar Marcondes foi uma farsa, supostamente, promovida pelo atual gestor e seu vice Ademar Vani para acabar com as carreiras políticas dos ex-vereadores. O detento afirma ainda que os parlamentares não seriam traficantes de drogas.



Valdenir afirma que é vítima de um processo de perseguição política engendrado pelos partidos de oposição no município, já que a carta está sendo divulgada somente agora, um ano eleitoral, dois anos após a prisão dos vereadores e quando as eleições se aproximam. “Sou candidato à reeleição com grandes chances de continuar a governar Nova Ubiratã por mais quatros. Então, a gente vê isso muito ligado a uma questão política. Nós não fizemos isso e tínhamos boa convivência com esses vereadores, que, inclusive, foram reeleitos porque fizeram um bom trabalho em seu primeiro mandato”, pontua o prefeito. 



O prefeito acrescenta que as detenções aconteceram somente após uma ampla investigação conjunta envolvendo as polícias Militar e Civil, o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e o Ministério Público Estadual. “Não haveria motivo e nem como interferir nesse caso. Estou indignado e inconformado com essa situação, porque nós não temos motivos. Os vereadores, tanto o Freitas quanto o Itamar, desenvolviam um bom trabalho no Legislativo. E não atuavam como oposição. O Itamar Marcondes estava filiado ao Pros, um partido da base. E o Freitas sempre apoiava os nossos projetos. Por qual motivo nós iriamos querer eles fora da Câmara para ter em seus lugares dois vereadores adversários, já que são da oposição?”, questiona Valdenir dos Santos. “Não tem fundamento. Não tem nexo”, acrescenta.

 

Tentativa de suborno

O procurador jurídico da Prefeitura de Nova Ubiratã, Rogério Ferreira, revela que o prefeito Valdenir dos Santos foi procurado em abril por um advogado para mostrar a carta de Neimar e dando a entender que queria dinheiro em troca da não divulgação do teor da missiva na imprensa. “Eu quero relatar que no dia 23 de abril deste ano nós fomos procurados por um advogado de Sinop, mas não sei ainda se é o mesmo. Ele estava com essa carta digitalizada em seu celular e leu para mim e para o prefeito. E nos repassou que ele tinha assumido o caso do Neimar e que teria sido procurado pelo ex-prefeito da cidade para ver quanto seriam os honorários para dar prosseguimento nesta carta e colocar na mídia. Também nos repassou que teria pedido R$ 50 mil em honorários. Pelo que eu entendi, ele queria mais e, veementemente, nós negamos. Fui taxativo a ele, e o prefeito também, que poderia soltar a carta na mídia, que não teríamos nada para esconder”, relata.



Após essa conversa, o suposto advogado de Neimar teria ligado novamente para o prefeito Valdenir dos Santos.“Nós temos o print [cópia]. Ele pede para que o prefeito o procurasse posteriormente. Mas o prefeito não ligou. E a outra exigência que ele nos fez também para que o prefeito intercedesse junto a Secretaria de Segurança Pública para que o Neimar saísse de onde está hoje, na ala dos evangélicos, e fosse transferido para, em suas palavras, à cela dos bandidos. Disse ainda [o advogado de Neimar] que se saísse da ala evangélica Neimar deixaria de ser X-9 [termo usado para delatores, já que o preso aceitou a delação premiada onde revelou o envolvimento de Freitas e Itamar com o tráfico de drogas]”, revela Rogério Ferreira.



Ferreira esclarece ainda que os ex-vereadores não foram condenados apenas tendo como prova a delação de Neimar. “Existem ainda as escutas telefônicas, depoimentos de policiais, inclusive civis, de pessoas da comunidade, do doutor Valter [de Melo, delegado de Polícia Civil], que conduziu o inquérito, e não a Polícia Militar. Ele ouviu todas as testemunhas e pessoas envolvidas. As escutas foram feitas pela Polícia Civil e pelo Gaeco. Inclusive, os vereadores foram presos pelo Gaeco. Então fica claro que o teor desta carta é infundado. E mais: essa sentença foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso”, assinalou.



Rogério Ferreira diz que irá entrar com uma representação criminal contra Neimar, acionar o conselho de ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e registrar mais um boletim de ocorrência contra os personagens envolvidos no caso. “O doutor Pablo [Borges, delegado da Polícia Civi] já conversou informalmente com Neimar e não teria percebido consistência em suas declarações. Agora, a Polícia Civil também está investigando para descobrir quem estaria por trás da divulgação dessa carta. Tudo está sendo investigado e estamos pedindo celeridade para que as pessoas interessadas em prejudicar o prefeito Valdenir dos Santos sejam apontadas o mais rápido possível”, enfatiza o advogado.
 

Prisão dos vereadores

Os vereadores Reinaldo de Freitas e José Itamar Marcondes, de Nova Ubiratã, foram presos no dia 16 de julho de 2014, durante operação realizada pelo Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça do município e Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Além das prisões, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.



Os dois são acusados de chefiarem o tráfico de drogas em Nova Ubiratã. Os parlamentares foram encaminhados para o Centro de Ressocialização do município de Sorriso. O vereador “Itamar” também responderá por porte ilegal de armas. No momento da prisão, o Gaeco encontrou em seu poder um revólver calibre "38".



De acordo com o Ministério Público, além dos vereadores mais seis pessoas foram denunciadas e já estavam presas, acusadas de tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção de menor. A denúncia inclui, ainda, dois advogados que não estão presos, mas responderam por coação no curso do processo, ameaça e oferecimento de vantagem indevida para alteração de depoimentos.



Consta na denúncia, que integrantes do grupo chegaram a oferecer uma quantia de R$ 15 mil para a execução de policiais militares que atuavam no caso. Os acusados, segundo o MPE, praticaram de forma reiterada os crimes de tráfico de drogas previstos no artigo 33 da Lei 11.343/06. Além da venda de entorpecente, eles adquiriram, preparam, transportaram, armazenaram e ofereceram o produto para consumo. A comercialização da droga, conforme o MPE, foi realizada, inclusive, dentro da Cadeia Pública de Nova Mutum e em uma escola da cidade de Nova Ubiratã.



Conforme reportagem do site Gazeta Digital, os entorpecentes, segundo o Ministério Público, eram adquiridos em Cuiabá e Sorriso e guardados em um depósito que funcionava dentro de estabelecimento comercial, na cidade de Nova Ubiratã. O local era utilizado como ponto de encontro dos traficantes que, sob o pretexto de cortar o cabelo, se reuniam para preparar e combinar a venda dos entorpecentes. Para isso, menores eram cooptados para fazer a distribuição.



As porções de droga, conforme o MPE, eram embaladas e preparadas em pequenas trouxas amarradas com fio dental e comercializadas a R$ 20, R$ 30 e R$ 50. Existia, ainda, a opção por porções maiores, denominadas “Caixa”, cujo valor era de R$ 200.



Conforme o Ministério Público, a quadrilha começou a ser desbaratada com a operação “Pistolagem em Neve Branca” realizada pela Polícia Civil em parceria com a Polícia Militar. Foi constatado, durante as investigações, que a associação criminosa era chefiada pelos vereadores Reinaldo de Freitas, vulgo “Freitas”, e José Itamar Marcondes, vulgo “Itamar”. Além deles, também foram denunciados Geovane Melo Silva, Alessandro Almeida Miranda, Iago Vinícius de Santos Silva, Neimar Gilberto Sousa Rosa, Walter Djones Rapuano e Antonio Lenoar Martins.



Julgamento e sentença

Em decisão foi proferida no dia 18 de dezembro de 2014 pelo juiz da Comarca de Nova Ubiratã, Jacob Sauer, Reinaldo de Freitas e José Itamar Marcondes foram condenados a 10 anos e quatro meses de prisão, cada um, acusados de liderar uma quadrilha de tráfico de drogas na região. 



Reinaldo de Freitas também responde por porte ilegal de arma, porque no momento da prisão foi encontrado com ele um revólver calibre 38. Em depoimento, os dois negaram os crimes e estão presos no Centro de Ressocialização de Sorriso.



“As práticas atribuídas aos denunciados representam fator de grave desestabilização da ordem pública, pois além de se dedicarem às condutas (tráfico de drogas), chegaram a ponto de cogitar o assassinato de policiais militares, os quais estariam obstaculizando a venda de drogas na Comarca”, destacou o juiz em um trecho da sentença.

Fonte: Redação / Hoje News | Foto: Divulgação

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