Em meio a escalada de violência, letalidade policial cresce 78% em Mato Grosso

Em meio a uma escalada de violência, marcada pelo fortalecimento da presença de facções criminosas em diversos municípios do estado, Mato Grosso vê atualmente a letalidade na atuação de suas polícias crescer muito acima da média nacional. É o que apontam os dados levantados pelo Fórum de Segurança Pública, por meio de pedidos de Lei de Acesso à Informação feitos aos estados e ao Distrito Federal.
Conforme o levantamento, foram 61 mortes no primeiro semestre de 2022 e o 109 mortes no primeiro semestre de 2023. Houve, portanto, um crescimento de 78,7% no número de mortes causadas por policiais em Mato Grosso, que ocupou o 5º lugar no ranking nacional de variação de letalidade policial. O estado ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul (340%), Santa Catarina (115%), Distrito Federal (114,3%), e Roraima (100%). Os números nesses estados vão na contramão da média brasileira, onde houve queda de 3,7%.
Neste mesmo período, a proporção das mortes por intervenção do estado em comparação com Crimes Violentos Intencionais (CVLI), que incluem homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, também cresceu acima da média nacional no estado. Em todo o país, o aumento registrado foi de 16,1%, enquanto em Mato Grosso foi de 25,1%. No ranking geral, Mato Grosso ocupa a 8ª colocação.
O crescimento da violência policial no estado acontece em meio ao fortalecimento do crime organizado em diversos municípios. Um levantamento divulgado este ano pelo Instituto Mãe Crioula, entidade independente que presta serviços relacionados à promoção de paz social na região amazônica, aponta a presença de facções criminosas em 11 municípios de Mato Grosso.
O controle de Alta Floresta, Rondonópolis, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, Tangará da Serra e Várzea Grande segue sendo disputado pelas facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Em Sorriso, o controle é disputado também pela facção Tropa Castelar, composta por dissidentes do CV. Em Cuiabá, Cáceres e Porto Esperidião, o tráfico já é considerado sob controle do CV, enquanto em Mirassol D’Oeste é controlado pelo PCC.
Segundo o Fórum de Segurança Pública, a atuação do crime organizado continua em processo de expansão na região, em razão principalmente de Mato Grosso ser uma área estratégica para os negócios do crime, tanto para o escoamento de drogas como também para outros ilícitos como o garimpo e a extração de madeira.
A Secretaria Estado de Segurança Pública de Mato Grosso (SESP-MT) atribui o crescimento da letalidade policial a este fortalecimento. “As forças de segurança reforçaram as atividades ostensivas e repressivas para combater organizações criminosas no estado. Esse aumento da atividade policial significa mais patrulhamento e a diminuição do tempo-resposta no enfrentamento da criminalidade. Sendo assim, houve mais confronto das forças de segurança, por conta do enfrentamento e resistência dos criminosos à ação policial”, afirmou a assessoria da SESP-MT em resposta à redação do PNB Online.
Questionada sobre que medida o Governo de Mato Grosso toma para evitar o crescimento do número de mortes em ações das polícias, a pasta destacou que as forças policiais dispõem e cumprem procedimentos operacionais padronizados para abordagem de suspeitos. “Além disso, os policiais passam por cursos de capacitação e atualização dos conhecimentos sobre as exigências legais, métodos e técnicas padronizadas de abordagens a serem respeitadas”.
Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Polícia Civil
