Em MT, acidentes de trabalho no agronegócio diminuem 38% em uma década

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) revelou uma redução significativa no número de acidentes de trabalho no estado ao longo de uma década, especialmente nas atividades do agronegócio. Entre 2008 e 2017, a incidência de acidentes caiu de 29,5 para 18,4 por mil trabalhadores, enquanto a taxa de mortalidade diminuiu de 27,7 para 13,5 óbitos por 100 mil habitantes. Esses resultados, destacados em um estudo publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, podem ser atribuídos à modernização da agricultura e também a possíveis sub-registros.

 

De acordo com o estudo, 58,4% dos acidentes de trabalho no estado do Mato Grosso ocorrem em atividades relacionadas ao agronegócio, o que enfatiza a importância de uma atenção especial a esse setor. A pesquisa analisou dados de saúde e de produção em municípios do interior do estado durante o período mencionado. Os dados de saúde incluíram incidência, mortalidade e letalidade de acidentes de trabalho, intoxicação por agrotóxicos, acidentes com animais peçonhentos, neoplasias e malformações. Já os dados de produção consideraram o volume mensal de produção agrícola, pecuária e florestal, além da contribuição de cada setor produtivo para a produção total nas cidades.

 

Nara Regina Fava, uma das autoras do estudo e pesquisadora do Núcleo de Estudos Ambientais, Saúde e Trabalho da UFMT, afirma que a queda na incidência de acidentes de trabalho ao longo dos anos está em consonância com estudos anteriores. Ela destaca que essa redução pode ser resultado de sub-registros, incluindo acidentes leves, bem como da adoção de tecnologias modernas no setor agrícola, que reduziram a necessidade de trabalho manual.

 

No entanto, as taxas de acidentes de trabalho no Mato Grosso são motivo de preocupação. O estado ocupa o segundo lugar em letalidade desses acidentes e o terceiro em incidência. O estudo também revela que os acidentes ocorrem duas vezes mais no interior do estado do que nas demais regiões. Diante desse cenário, os resultados da pesquisa podem subsidiar a elaboração de estratégias de promoção e prevenção da saúde dos trabalhadores, com foco nos setores que apresentam maior número de acidentes. Vale ressaltar que o Mato Grosso é responsável por mais de 50% de toda a contribuição do agronegócio para o PIB do Brasil, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária.

 

Os autores do estudo planejam colaborar com auditores fiscais do Ministério do Trabalho, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) estadual e as vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental para melhorar a saúde da população. Além disso, eles têm a intenção de dar continuidade às pesquisas nessa área.

 

 

 

 

Fonte: Redação/Agência Bori | Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT