Em MT focos de queimadas já têm aumento de 20% este ano

Antes mesmo do mês de julho chegar ao fim, o número de focos de queimadas no estado de Mato Grosso neste ano já é 20% maior que o registrado nos sete primeiros meses de 2021. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e mostram ainda que Mato Grosso lidera o ranking de estados brasileiros com maior número de focos. 

 

Conforme registrado pelos satélites do Inpe, entre 01 de janeiro e 27 de julho deste ano, foram identificados 8.344 ante 6.913 identificados no mesmo período do ano passado. O número já é bastante próximo dos 8.344 focos detectados em 2020, ano em que Mato Grosso registrou recorde em queimadas em seu território, especialmente no bioma pantaneiro, que, na ocasião, perdeu 26% de sua vegetação. 

 

Ainda de acordo com o Inpe, dos dez municípios com maior registro de queimadas em 2022 até agora, cinco estão localizados em Mato Grosso. São eles: Feliz Natal (484), Nova Ubiratã (483), União do Sul (405), Nova Maringá (396) e Tangará da Serra (389). Estes municípios abrangem os biomas Amazônia e Cerrado, atualmente os mais atingidos no país, somando mais de 82% de todos os focos. 

 

Como explica o biólogo Ubirajara Oliveira, pesquisador na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Com a chegada do período mais seco, os altos números preocupam especialmente os estados que compõem a Amazônia Legal (Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Pará e Amazonas). “Nestes locais, as ocorrências de queimadas estão frequentemente associadas à devastação das florestas e à posterior grilagem de terras, assim como ao avanço sobre áreas protegidas e terras públicas”. 

 

Perdas socioambientais e prejuízos à saúde

O aumento de doenças respiratórias está entre os inúmeros prejuízos causados pelos incêndios à população dessas regiões. “Junto com os gases da queima, há as micropartículas que ficam em suspensão aérea. Essas micropartículas também são irritantes e penetram nosso corpo causando inflamação, tanto dos brônquios, quanto do parênquima pulmonar. Esse material particular tem um elemento que nós chamamos de fuligem. Essa fuligem penetra bastante no pulmão, vai até os alvéolos pulmonares e provoca danos em série”, explica o médico pneumologista Clóvis Botelho, de Cuiabá.

 

Outros problemas incluem a perda de patrimônio socioambiental e cultural, como as áreas de uso familiar ou coletivo atingidas pelo fogo criminoso, as faixas de florestas e cerrado que representam habitats para muitas espécies animais e vegetais e mesmo os sítios arqueológicos ainda desconhecidos por instituições de pesquisa e comunidades do entorno.

 

 

 

 

Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Agência Brasil