Empresária do agro admite fantasia ofensiva e exclui rede social

A empresária Carolina Scheffer, fundadora do Grupo Scheffer, que atua no setor do agronegócio, se manifestou sobre o episódio em que foi acusada de fazer blackface ao se “fantasiar” de mulher negra para uma festa no último final de semana.

 

Por meio de nota, ela lamentou a escolha da “fantasia” e disse não ter “a dimensão do seu significado”. “Agora compreendo ser ofensiva, mesmo sem qualquer intenção de gerar esse sentimento”.

 

Carolina vestiu um vestido longo de poá (estampa de bolinhas), usou acessórios em vermelho e pintou a pele do corpo e do rosto de preto.

 

Para arrematar a “fantasia”, ela usou uma peruca de cabelo crespo, no estilho black power. Ela quis representar a “nega maluca”, representação exacerbada e estereotipada da mulher negra.

 

“Estou sensibilizada com a repercussão, e comprometo-me a estudar sobre o tema com a devida atenção e continuar buscando novos conhecimentos sobre um assunto tão relevante ao país”, afinou.

 

Off nas redes

A empresária compartilhou a foto em suas redes sociais e nos comentários do perfil havia apenas reações positivas.

 

Entre os amigos, ninguém criticou a atitude, já amplamente discutida e estabelecida como racista.

 

Depois da repercussão negativa na mídia, ela privou o Instagram (antes aberto ao público) e excluiu o Facebook.

 

A fundadora do centro cultural Casas das Pretas, Antonieta Luisa Costa, classificou como racismo o episódio. “É racismo, simples assim”.

 

Segundo ela, também fundadora do Instituto de Mulheres Negras, a ato de Carolina é reflexo de um País estruturado no racismo. 

 

“A atitude dessa cidadã é fruto de um país estruturado no racismo. Blackface é racismo, é simples assim. Ainda não entenderam que não existe nada de engraçado quando eu inferiorizo, quando eu discrimino alguém?”, questionou.

 

O mais grave, segundo a ativista, é a "intencionalidade" da atitude da empresária, que revela a posição que a mulher preta ocupa na sociedade.

 

“Qual é a intenção dela em vestir a pele de uma mulher negra e ainda dizer que nós somos malucas? Porque ela não foi com qualquer fantasia, ela não se vestiu de qualquer preta”, disse.

 

“Isso tudo faz tarte do racismo estrutural que nos coloca num lugar da sociedade de inferioridade, de descredibilidade, em situação de ridicularizarão da nossa figura enquanto mulher negra”, acrescentou.

 

Confira a nota na íntegra:

Lamento pelo uso de uma fantasia durante uma festa em Cuiabá. Não tinha a dimensão do seu significado, e agora compreendo ser ofensiva, mesmo sem qualquer intenção de gerar esse sentimento. Estou sensibilizada com a repercussão, e comprometo-me a estudar sobre o tema com a devida atenção e continuar buscando novos conhecimentos sobre um assunto tão relevante ao país.

 

Carolina Scheffer

 

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Autor: Liz Brunetto | Fonte: Redação/Mídia News | Foto: Reprodução/ Facebook