Empresas do agronegócio de Sorriso pagavam dona de prostíbuo por roubo de defensivos

A "herdeira" de um prostíbulo em Sorriso, conhecido como "American Bar", recebia dinheiro de empresas do agronegócio de Mato Grosso como pagamento de roubos de cargas de sojas e outros produtos. É o que revelam as investigações realizadas pela Polícia Judiciária Civil do município que resultaram na Operação Xeque Mate, deflagrada nesta sexta-feira (04).
As investigações chegaram em Cassiane Reis Mercadante, esposa de Mauri Moreira da Silva, um conhecido ladrão de cargas de soja na região, que se encontra foragido. A polícia aponta que mesmo sem ter emprego ou renda Cassiane movimentou em suas contas R$ 6.287.789,94, recebidos de empresas interessadas em cargas roubadas.
Esse dinheiro teria sido utilizado para lavar recursos de origem do tráfico de drogas e do roubo de cargas de soja e outros produtos agropecuários. Documentos obtidos por um site da Capital, indicam que empresas da região pagavam por esses crimes para Cassiane e seus comparsas.
"Ademais, também foi possível confirmar que Cassiane Reis Mercadante recebe valores de empresas agropecuárias como
pagamento por cargas de soja roubadas", diz um dos trechos. Os nomes das empresas que pagavam pelas cargas não foram revelados nos relatórios aos quais a reportagem teve acesso.
Grande parte do dinheiro ilícito recebido por Cassaine era transferido para contas bancárias da empresa Zava Construtora Ltda.
A Zava Construtora Ltda. funciona em um local que é, na verdade, um prostíbulo e atende pelo nome de "American Bar". A empresa pertence ao padrasto de Cassiane, Osvanir Zavareze.
O prostíbulo American Bar já foi alvo da Operação Salve Jorge, deflagrada em 2015, que apurou crimes de trafico de pessoas e rufianismo (lucro através de prostituição alheia). Osvanir Zavareze foi um dos indiciados pelos crimes na época.
A operação
Deflagrada pela Polícia Judiciária Civil de Sorriso com apoio de investigadores dos municípios de Sinop e Nova Mutum, a Operação Xeque Mate cumpriu 24 ordens judiciais. Ao todo sete pessoas foram presas por envolvimento em furtos e roubos de cargas de grãos, além do comércio ilegal de defensivos agrícolas.
O líder do bando, João Nassif Mussufero Izar, foi preso em Cuiabá.
Ele já teria sido condenado em 2019 por contrabando de agrotóxicos. Além do chefe da quadrilha também foram presos o casal Valdelírio Krug e Viviane Menegazzi, que seriam donos da garagem de veículos Motors Veículos, em Sorriso, usada para "lavar" o dinheiro obtido ilicitamente.
Também foram presos Danilo Pereira Lima, Cassiane Reis Mercadante, Rodrigo Calça e David dos Santos Nascimento. Este último professor diretor de uma escola municipal de Sorriso.
Ainda de acordo com a PJC, outros dois suspeitos permanecem foragidos. São eles; Sandoval de Almeida Júnior, Ângelo Marcosi da Cunha e Mauri Moreira Silva.
Conforme a investigação, em menos de 3 anos, a quadrilha movimentou um montante superior a R$ 70 milhões.
Autor: Lázaro Thor | Fonte: Redação/MídiaJur | Foto: Reprodução/MídiaJur
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