Envolvimento extraconjugal é motivação de homicídio em Sorriso; STJ nega liberdade a suspeito

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido liminar em habeas corpus apresentado pela defesa de Gabriel Júnior Tacca e manteve a prisão preventiva do empresário, acusado de mandar matar o próprio amigo, Ivan Michel Bonotto, de 35 anos, após descobrir que ele mantinha um relacionamento com sua esposa, em Sorriso. A decisão foi publicada nesta segunda-feira, 13 de julho.
Essa não é a primeira derrota de Gabriel na tentativa de deixar a prisão. O STJ já havia negado outro pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Na ocasião, a decisão foi assinada pelo ministro Joel Ilan Paciornik.
A nova decisão foi assinada pelo vice-presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, no exercício da Presidência. A defesa alegava que a prisão preventiva não apresentava fundamentação concreta e que a decisão estaria baseada apenas na gravidade do crime, sem apontar riscos atuais à ordem pública ou à instrução criminal. Os advogados também pediam a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas.
Ao analisar o pedido, Salomão afirmou que, em uma avaliação inicial, não identificou ilegalidade evidente ou urgência que justificasse a concessão da liminar. Segundo o ministro, o acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) questionado pela defesa não apresentava, neste momento, características de decisão manifestamente irregular.
O ministro determinou ainda que sejam solicitadas informações ao TJMT e ao juízo de primeiro grau antes da análise definitiva do recurso. Após essa etapa, o processo será encaminhado ao Ministério Público Federal para emissão de parecer.
O homicídio ocorreu na madrugada de 22 de março do ano passado, em uma distribuidora de propriedade de Gabriel, no bairro Village, em Sorriso. O empresário teve a prisão temporária cumprida no dia 11 de julho e posteriormente se tornou réu por homicídio qualificado.
Segundo a investigação policial, Gabriel teria planejado a morte de Ivan após descobrir que sua esposa, a médica Sabrina Iara de Mello, teria um relacionamento extraconjugal com a vítima. Conforme a denúncia, ele teria contratado Danilo Carlos Guimarães para executar o crime.
A polícia aponta que Danilo atacou Ivan dentro da distribuidora, simulando uma briga no local. A vítima foi esfaqueada e permaneceu internada por vários dias, mas morreu em 13 de abril, em decorrência dos ferimentos.
Autor: Fernanda Escouto | Fonte: Redação/Jornal Estadão Mato Grosso | Foto: Reprodução
