Ex-ministros intermediaram caixa dois para campanhas do PT, afirma mulher de marqueteiro

Em depoimento a procuradores federais, na tentativa de fechar um acordo de delação premiada, a empresária Monica Moura, esposa do marqueteiro João Santana, revelou que, além do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, outros integrantes da alta cúpula do PT intermediaram o pagamento de caixa dois para campanhas presidenciais. O papel teria sido desempenhado, nas últimas eleições, pelo ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci e o ex-tesoureiro João Vaccari Neto.
Reportagem deste domingo (24) do jornal O Globo revela que Palocci e Vaccari teriam indicado à Monica executivos de empresas que poderiam contribuir em dinheiro. Os recursos não passaram por contas oficiais do partido, consequentemente, não foram declarados à Justiça Eleitoral.
Monica Moura disse aos procuradores que registrou em uma agenda, não apreendida pela Polícia Federal, detalhes de encontros em hotéis e restaurantes para obter recursos para as campanhas do PT. O dinheiro era entregue em malas por interlocutores dos executivos indicados pelos três petistas.
Segundo a empresária, o “italiano” citado em uma planilha de pagamentos apreendida na caixa de e-mails do então diretor da Odebrecht, Fernando Migliaccio, seria o ex-ministro Antonio Palocci. O documento é uma prova contundente do pagamento de propina a agentes políticos pela empreiteira. A tabela traz a indicação de fontes para pagamentos e siglas de destinatários, como o casal Santana e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
As empresas de Monica Moura e João Santana prestaram serviços ao PT na campanha à reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e nas duas campanhas da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014. As contas oficiais dizem que, nas três eleições, o casal recebeu cerca de R$ 110 milhões.
Fonte: Redação / Assessoria | Foto: Reprodução | Cidade: Brasil
- Fonte: Redação / Assessoria
- Foto: Reprodução

