Exército interdita BR-163 e Dnit promete levar comida e água para caminhoneiros

Após mais de uma semana presos nos atoleiros da BR-163, na fronteira com o Pará, os caminhoneiros finalmente começam a receber ajuda humanitária do Governo Federal, que, em uma ação conjunta do Ministério dos Transportes, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Exército, começaram no final de semana a traçar o plano emergencial para acabar com o problema, por meio de colocação de cascalho nos pontos que estão tomados pela lama.

 

Uma interdição também foi feita há cerca de 50 quilômetros do atoleiro entre o Distrito de Caracol e o município de Itaituba, no Pará, para evitar que novos caminhões fiquem presos no local.

 

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), neste feriado de Carnaval, uma ação emergencial levará mantimentos, água e medicamentos para os afetados.

 

Segundo a autarquia, equipes já foram mobilizadas no final de semana para ordenar o trânsito a fim de que os equipamentos possam executar serviços de manutenção. Além do alto índice pluviométrico, o trabalho estaria sendo prejudicado pela ação dos próprios caminhoneiros, que formam fila dupla e, antes mesmo da finalização dos serviços, avançam sobre os segmentos inconclusos, destruindo prematuramente os serviços realizados.

 

Por meio de sua página no Facebook, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), disse que na sexta-feira (24), enviou ofício ao Ministério dos Transportes solicitando providências, tendo em vista o prejuízo causado aos produtores de grãos que precisam escoar a soja pelos portos de Miritituba e Santarém (PA), o que está inviável.

 

Segundo Maggi, mais de 5 mil motoristas estão isolados, aguardando a possibilidade de retomar a viagem. Falta comida e água potável. A situação caótica chega ao ponto deles terem que beber e cozinhar com água da chuva.

 

“Tive informações de que a região está intransitável. Do município de Guarantã do Norte até os terminais de Miritituba são cerca de 700 quilômetros. Desse total,150 ainda está sem asfalto. Outro problema é que onde tem asfalto, tem pontes de madeira, que estão caindo. O atoleiro já é de 35 km, a fila está com mais de 50 quilômetros entre Três Boeiros e Caracol”, disse.

 

Há décadas de existência da rodovia, o problema ocorre sempre nessa mesma época em que enquanto todo o país está no verão, na Amazônia, a população vive o chamado “inverno amazônico”, período em que chove durante praticamente o dia inteiro, todos os dias, o que agrava a situação dos atoleiros na estrada que sequer recebeu pavimentação ao longo de sua existência.

 

 Além de caminhoneiros, moradores das cidades do Sul do Pará que precisam se locomover para outras regiões em busca de atendimento médico ou sair de comunidades rurais para ir à escola, também sofrem com o estado de calamidade, que foi decretado pelo Município de Trairão (PA), por exemplo.

 

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Autor: Celly Silva | Fonte: Redação/ Repórter MT | Foto: Reprodução