Facebook remove 68 páginas e 43 contas pró-Bolsonaro

O Facebook removeu, nesta segunda-feira, 68 páginas e 43 contas que distribuem conteúdo favorável ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) com alcance de milhões de pessoas. As contas que eram associadas ao grupo “Raposo Fernandes Associados (RFA)” foram removidas por violação de políticas de autenticidade e de spam.
Segundo o Facebook, as pessoas por trás da RFA criaram páginas usando contas falsas ou múltiplas contas com os mesmos nomes, o que viola as políticas da rede social. A empresa também identificou “uma grande quantidade de artigos caça-cliques” que tinham o objetivo de direcionar os usuários para sites com muitos anúncios e pouco conteúdo fora da rede social. Em nota, a companhia diz ainda que não foi encontrado o mesmo padrão de distribuição, com posts caça-cliques, via Whatsapp, serviço que também pertence ao grupo do Facebook.
Entre as páginas removidas, estão a “Política na Rede”, a “Folha Política”, “MCC – Movimento Contra Corrupção”, que existe desde antes de junho de 2013, a “Gazeta Social” e a “Ficha Social”. A maior parte da rede atuava distribuindo conteúdo anticorrupção e antipetista desde ao menos 2014.
Em levantamento para a Revista Época em agosto, o Monitor do Debate Político Digital da USP estimou que somente a rede de 23 páginas associadas ao “Política na Rede” tinha 17,6 milhões de curtidas e 4,33 milhões de compartilhamentos por semana.
A página conta com apoiadores como o deputado federal eleito por São Paulo, Alexandre Frota (PSL) e Marcello Reis, que se candidatou a deputado estadual pelo PSL em São Paulo, mas não se elegeu. Marcello Reis administrava a página “Revoltados Online”, que foi retirada do ar em 2016, na época com mais de 2 milhões de seguidores.
A empresa indica que há motivação econômica e política nas dezenas de contas usadas.
“Exigimos que as pessoas usem seus nomes reais e também proibimos spam, uma tática geralmente usada por pessoas mal intencionadas para aumentar de maneira artificial a distribuição de conteúdo com o objetivo de conseguir ganhos financeiros”, diz trecho da nota da empresa.
Em julho, o Facebook retirou do ar 196 páginas e 87 contas associadas ao movimento Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo que nasceu pedindo o impeachment de Dilma Rousseff, só declarou apoio a Jair Bolsonaro nos últimos dias do primeiro turno.
"Nós implementamos uma série de medidas para proteger o Facebook antes da eleição no Brasil. Continuaremos a investir para evitar que abusem de nossas plataformas, porque queremos que as pessoas se sintam seguras e confiem nas conexões que fazem no Facebook", disse.
O GLOBO entrou em contato com Thais Raposo e Ernani Fernandes, administradores do grupo Raposo e Fernandes Associados (RFA), mas ainda não obteve um posicionamento. Os dois administram a empresa Novo Brasil Empreendimentos Digitais.
Fonte: Redação / O Globo | Foto: Reprodução / Ilustrativa
