Falta de recenseadores atrasa ritmo de coleta do Censo em Mato Grosso

Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (30), o estado de Mato Grosso é, neste momento, a 5ª unidade federativa com o menor ritmo de coleta de dados do Censo Demográfico 2022. Além das dificuldades comuns encontradas pela pesquisa em todo o país, o estado tenta driblar também a falta de interesse da população pelas vagas de recenseadores. 

 

Atualmente, com o trabalho concluído em 9.082 setores censitários, estima-se que apenas 3,1% da população mato-grossense já foi recenseada. Os números deixam Mato Grosso distante de estados como Ceará, que, em menos de um mês de coleta, já conseguiu ter 12% da população recenseada. Por aqui, cerca de 75% dos trabalhos ainda não foram sequer iniciados. 

 

Iniciada no dia 1º de agosto, a expectativa é que a pesquisa seja concluída até outubro, caso um bom satisfatório seja empregado na coleta dos dados. Para isso, o instituto tem tentado atrair mais pessoas para o cargo de recenseadores. Condições como insegurança, baixo salário e condições de trabalho têm afastado a população das vagas. 

 

Segundo o balanço divulgado pelo IBGE, com apenas 51,2% das vagas preenchidas, Mato Grosso é o estado com maior déficit de recenseadores do país. Conforme explica a superintendente do IBGE em Mato Grosso, Millane Chaves, tem sido difícil despertar o interesse das pessoas para trabalharem temporariamente como recenseador devido à baixa taxa de desemprego por aqui. 

 

“Mato Grosso é o estado da federação que possui a segunda menor taxa de desocupação do país, o primeiro é Santa Catarina. Além disso, possui renda média superior à média Brasil. Sendo assim, em Mato Grosso possuímos baixo desemprego, que se traduz em grande oferta de vagas de trabalho e boas remunerações (principalmente no agronegócio), o que faz com que tenhamos maior dificuldades em atrair pessoas para este trabalho aqui que em outros estados da federação”, afirma. 

 

Avanço em Mato Grosso

Em Mato Grosso, apenas nos municípios de Nova Lacerda, Porto dos Gaúchos, Sinop, Nova Guarita, Itaúba e Planalto da Serra a coleta de dados ainda não foi iniciada. Com exceção de Ponte Branca (33,3%) outros municípios do estado encontram-se na primeira fase da coleta, quando menos de 25% dos setores censitários foram concluídos. Os municípios de Carlinda, Figueirópolis D'Oeste, Nova Xavantina e Denise já apresentam progresso superior a 15%. 

 

Importância do Censo

Realizado a cada dez anos, o Censo Demográfico é a principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população. É por meio do Censo 2022 que o Brasil saberá o tamanho de sua população, como é essa população e de que forma ela vive nas áreas urbanas e rurais do país. A pesquisa seria realizada em 2020, mas devido à pandemia foi adiado para 2021, ano em que também não ocorreu por falta de repasse de verba pelo Governo Federal.

 

O Censo Demográfico brasileiro é considerado uma das mais complexas operações estatísticas realizadas no mundo. Precisará cobrir um território de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados para retratar as condições de vida dos brasileiros e imigrantes que vivem no país. A estimativa é de que sejam visitados 89 milhões de endereços, sendo 75 milhões de domicílios até o final de outubro.

 

 

 

 

Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: IBGE