Faturamento de porto de MT com importação cai 75% no 1º semestre

As importações em todo o país tiveram uma queda significante, de 24%, nos seis primeiros meses desse ano, mas no porto seco em Mato Grosso, onde cargas são recebidas e enviadas, a queda no faturamento foi maior, chegando a 75%, de acordo com dados da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios.

 

No 1º semestre de 2014, foram faturados US$ 234 milhões e, nos primeiros seis meses de 2015, foram apenas US$ 98 milhões.

 

“A alta do dólar, o problema da situação do Brasil, que é uma situação de crise, aliado às dificuldades que tivemos ao longo do governo passado em Mato Grosso, com relação à legislação, fez com que tivéssemos uma redução de 50% no movimento do Porto Seco”, explica Francisco Almeida, diretor do Porto Seco.

 

Instalado há 12 anos na capital, o porto seco é um terminal de uso público, que armazena e movimenta mercadorias importadas ou ainda as que serão exportadas. É um facilitador nas operações que envolvem o comércio entre pessoas e empresas de Mato Grosso e de outros países. No terminal de Cuiabá, cerca de 95% das negociações são de importação de produtos comprados em outros países. As exportações representam apenas 5% da movimentação do terminal.

 

Com a diminuição no ritmo do serviços desde o início do ano, 50 das 100 carretas estão paradas no pátio, o que causou demissões. “Tivemos pelo menos 40 motoristas que já foram demitidos”, afirma Almeida.

 

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, comenta que produtos como insumos e algumas máquinas são importados em dólar, que tem apresentado cotações acima de R$ 3 nos últimos meses. “Esse resultado se transforma em um custo maior de produção, portanto o produtor com a menor margem tem que fazer cotação de preços todos os dias, ‘brigar’ no preço, pois sabemos que as empresas têm margem para serem espremidas e estamos trabalhando neste sentido, porque realmente está difícil fechar a conta para o produtor rural”, diz.

 

Dentre os setores que deixaram de comprar produtos de outros países está o agronegócio. Segundo o economista Carlos Timo Ribeiro, a alta cotação do dólar influenciou na queda das transações realizadas pelo porto seco. “Em uma situação dessa, o agricultor pisa no freio em relação às compras de insumos. É o que se está verificando também nos números desse 1º semestre em relação ao 1º semestre do ano passado”, afirma.

Fonte: Redação / G1 MT | Foto: Reprodução/TVCA | Cidade: Mato Grosso