Financeiras aumentam exigências e vendas de motos despencam 23% em MT

As vendas de motocicletas em Mato Grosso acumulam queda de 23,52% no acumulado dos 10 primeiros meses do ano, se comparadas a igual período de 2015. Em números reais foram comercializadas 28,266 mil unidades este ano ante 36,961 mil no ano passado, ou seja, 8,695 mil motos deixaram de ser vendidas em 2015. 

 

Apesar do desempenho negativo, o segmento se mantém como majoritário entre os veículos novos, correspondendo a 45,06% do mercado mato-grossense, percentual que era de 45,92% em 2015. Os dados fazem parte do balanço mensal da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

 

O presidente do grupo Cometa, Cristiney Rodrigues Melo, explica que os problemas no varejo de motos decorrem das dificuldades com o financiamento. “Nos últimos meses a média de aprovação de pedidos de financiamento é de apenas 27%, ou seja, são 27 aprovações a cada 100 pedidos realizados”

 

O empresário avalia que a situação é motivada pela restrição de crédito por parte da financeiras, que acabam exigindo mais mitigadores de riscos para aprovar uma venda. “Temos feito ações especiais em prol deste público consumidor, já que a moto é um veículo popular e de baixo valor aquisitivo se comparada ao carro. Sem dúvida é essencial para o trabalhador que depende de um transporte público de péssima qualidade e pouco eficiente”, complementou.

 

A economista Veneranda Acosta pontua que a moto é um veículo historicamente mais adquirido que outros automotores. “Principalmente porque até antes da recessão econômica esse tipo de veículo tinha valor menos oneroso e o crédito era menos caro ou restritivo”

 

A especialista pontua que a tendência é de permanência da moto como o veículo com maior participação no mercado, porque se transformou em um item de “fácil” substituição. “E notório que o maior volume de apreensões ocorre entre as motos, porque é mais fácil de ser substituída que um carro”, exemplifica. 

 

Segundo a economista, esta característica faz com que muitos proprietários de motos não temam o atraso de tributos como o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) ou mesmo as multas.

 

No Brasil foram vendidas 840,981 mil motos entre janeiro e outubro, 18,87% a menos que em igual período do ano passado, quando foram vendidas 1,036 milhão de unidades. 

Autor: Vinícius Bruno | Fonte: Redação/ Gazeta Digital | Foto: Divulgação