Garimpeiros são multados em R$ 20 milhões por uso irregular de mercúrio

Nove garimpeiros da região de Poconé, foram multados em R$ 20 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por uso irregular de mercúrio na extração de ouro.

 

A punição é resultado da Operação Almadén, deflagrada no início deste mês pelo órgão ambiental, que mirou a atividade de garimpos e mineradoras de médio porte que usam mercúrio de forma ilegal.

 

No total, foram 14 autuações a empresas que têm licença ambiental, mas estavam operando de forma ilegal, justamente por utilizar o mercúrio ilegal.

 

O Brasil não tem atividade de mineração e beneficiamento de mercúrio. Dessa forma, toda substância que está no país têm dois caminhos legais: importação ou reciclagem de produtos, a exemplo de lâmpada.

 

E toda essa transação precisa ser declarada ao Ibama, que fiscaliza e acompanha o rastro do mercúrio legalizado no país.

 

Foi com base nos dados desse sistema de acompanhamento que os agentes do Ibama ligaram o alerta sobre atividade ilegal em alguns garimpos das cidades mato-grossenses de Poconé e Sinop.

 

Por que garimpeiros usam mercúrio para extrair ouro

O mercúrio é usado por garimpeiros, porque a substância ajuda a separar o ouro de outras impurezas durante o processo de mineração. Essa técnica é tida como “simples”, “barata” e “eficiente”.

 

Entretanto, nas mãos de garimpeiros ilegais, o uso do mercúrio pode ser extremamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Pode provocar contaminação do solo, dos rios, dos peixes e das populações ribeirinhas, a exemplo de indígenas. Comunidades que vivem da pesca de subsistência sofrem com a contaminação de mercúrio pela ingestão de peixes contaminados.

 

Além de ser tóxico, o mercúrio não sai do corpo humano e, no nosso organismo, fica armazenado no cérebro, provocando vários problemas à saúde.

 

Contaminação pelo ar

O mercúrio é único metal da tabela periódica em estado líquido, o que facilita ser transportado e condicionado de forma improvisada. É comum agentes do Ibama encontrarem o material armazenado em garrafas plásticas e recipientes de vidro.

 

Além de ser líquido, o mercúrio também evapora em temperatura ambiente. A sua inalação é extremamente prejudicial à saúde. A substância também chega à atmosfera no processo de separação do ouro e do mercúrio.

 

O que é a Operação Almadén

A Operação Almadén (mina, em árabe), deflagrada pelo Ibama no início de junho, é o desdobramento de outras duas operações realizadas em conjunto com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), com objetivo de combater o contrabando ilegal de mercúrio e o uso da substância na extração ilegal de ouro em Mato Grosso.

 

A Hermes (Hg) I e Hermes (Hg) II, como foram chamas as duas primeiras operações, foram deflagradas, respectivamente, em 2022 e 2023.


 

Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Ibama