Hospitais de Sorriso desmentem notícia envolvendo parlamentar e assessor; jornalistas repudiam conduta

Os dois hospitais particulares sediados em Sorriso desmentiram, por meio de nota, a informação de que teriam atendido pacientes em decorrência de “laceração anal”.

 

O comunicado foi feito, nesta quarta-feira (7), horas depois de um site local noticiar que um parlamentar e seu assessor tivessem buscado ajudo médico após, supostamente, manterem relações sexuais com um rapaz de nacionalidade haitiana.

 

“A quem possa interessar, esclarecemos que não houve nenhum atendimento – envolvendo parlamentar e seu assessor – diferentemente do que foi exposto em redes sociais”, diz trecho da nota emitida pelo Hospital 13 de Maio.

 

No documento o hospital reitera que, mesmo se os procedimentos tivessem ocorridos, jamais seriam divulgados sem a anuência dos respectivos pacientes.

 

“A unidade hospitalar não compactua com a divulgação de informações que venham colocar em dúvida a credibilidade dos seus serviços prestados, bem como seus valores éticos”, completa.

 

“Venho por meio desta informar a quem possa interessar que o hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima, não atendeu entre os dias 05 de abril a 08 de abril de 2021 nenhum parlamentar ou assessor do mesmo, conforme notícia veiculada em mídia local”, afirmou o Hospital Nossa Senhora de Fátima, Instituto Ighasmat.

 

Militante da causa LGBT e único vereador homossexual assumido, Maurício Gomes (PSB) utilizou suas redes sociais para criticar o “conteúdo jornalístico” que, na avaliação dele, teve como único objetivo denegrir a imagem do Parlamento.

 

“Fico muito constrangido com toda essa situação. Por ser homossexual tenho sido alvo de diversas piadas e comentários maldosos. Isso é muito triste para o Parlamento sorrisense. Tira a credibilidade não só minha, mas de todos os demais vereadores. Afinal de contas, quando ele não cita o nome do suposto parlamentar, ele [jornalista] está ferindo a honra dos 11 vereadores”, disse Maurício Gomes ao adiantar que pretende acionar a Justiça. (Veja AQUI)

 

O factoide, que em poucos minutos ganhou ampla notoriedade no Estado, também foi criticado por internautas e profissionais da área de comunicação. Alguns jornalistas classificaram o conteúdo noticiado como antiético e depreciativo à classe.

 

“Você está de parabéns. Afinal ainda recebe dinheiro público para denegrir a imagem das pessoas. E agora, que os dois hospitais emitiram nota dizendo que não houve esses atendimentos? Baita jornalista que não verifica as fontes e posta qualquer fofoca! escreveu um leitor.

 

“No mínimo deveria postar um pedido de desculpas para a população por divulgar fake news (sic)”, ironizou outro.

 

“Matéria ridícula, falta de ética. Tem certos repórteres que parece urubu em cima da carniça (…) o que acontece em quatro paredes não é do interesse da sociedade”, escreveu uma jovem.

 

“Hoje recebi três mensagens de colegas de outras cidades com todo tipo de chacotas e humilhação em relação a nossa profissão, nosso papel de fiscalizar e divulgar o que é relevante. É muito chato falar mal de colegas. Muito chato, só que é necessário separar o joio do trigo. Esse tipo de imprensa presta um desserviço à sociedade”, opinou a jornalista Paula Arruda em um vídeo compartilhado em sua rede social. “É preciso reforçar o que é importante e o que é desnecessário. Por que a imprensa é primordial, sempre foi, têm sido e sempre vai ser”, concluí.

 

“Nosso Estado já sofre as consequências econômicas da pandemia e em nosso município não tem sido diferente. Temos histórico de famílias passando por dificuldades financeiras, algumas até fome. Como se não bastasse todos esses problemas, a sociedade de bem ainda é obrigada a conviver com uma imprensa manipuladora, antiética e sem nenhuma credibilidade (….) nós, os bons profissionais de comunicação, modéstia parte falando, não podemos ficar calados diante dessa situação. Não podemos compactuar com marginais transvestidos de jornalistas. Nossa classe não merece isso, a sociedade de bem não merece isso”, disparou o jornalista Michel Ferreira. (Veja AQUI).

 

Apresentador de um dos programas de rádio de maior audiência, em Sorriso, o jornalista Ivan Oliveira classificou o episódio como constrangedor.

 

“É constrangedor pra mim trata deste assunto, porque de verdade e com todo respeito, admiração e carinho ao colega que escreveu isso que estão chamando de notícia, mas que para mim não passa de uma fofoca de lavadeira. Desculpa gente, mas é o meu pensamento”, disse ao adentrar no assunto. “Pra mim é vergonhoso ter que abordar esse tipo de notícia, mas é que antes era um texto de um site, depois era um vídeo de redes sociais e agora o caso tomou oficialidade como o hospital, por exemplo, se pronunciando”, explica.

 

Procurado pela reportagem, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor), Itamar Perenha, afirmou que a entidade está acompanhando o imbróglio criado por um de seus filiados. “A orientação sexual não tem nada a ver com o caso, mas se a notícia é inverídica, qualquer pessoa que se sentir prejudicada pode acionar a Justiça”, pontua.

 

Fonte: Redação | Foto: Divulgação

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