Incidência de câncer é de 8,5 a cada 100 mil crianças e adolescentes em MT

Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), Mato Grosso registrou em 2021 cerca 320 casos de câncer infantojuvenil, o que representa uma taxa de incidência de 8,5 casos por 100 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Apesar de estar abaixo da média nacional, o número aponta para a necessidade dos pais de estarem atentos aos primeiros sintomas da doença, já que o diagnóstico prematuro é decisivo para o sucesso do tratamento. 

 

Conforme o INCA, os tipos de câncer mais comuns em crianças e adolescentes em Mato Grosso são as leucemias, que representam cerca de 34% dos casos de câncer em crianças e adolescentes no estado. A lista é seguida por tumores do sistema nervoso central, que representam cerca de 20% dos casos e linfomas, que representam cerca de 11% dos casos de câncer infantojuvenil em Mato Grosso. 

 

Por aqui, o tratamento é oferecido principalmente por hospitais públicos, como o Hospital Universitário Júlio Müller e o Hospital de Câncer de Mato Grosso. Como destaca a pediatra Miriane Rondon, do Hospital e Maternidade Femina, em Cuiabá, o diagnóstico precoce da doença é de extrema importância, pois aumenta em até 80% as chances de cura. 

 

Desse modo, as consultas frequentes ao pediatra são fundamentais, principalmente porque os sintomas do câncer infantil muitas vezes são parecidos com os de doenças comuns entre as crianças. “Primeiro, é preciso destacar a visita frequente ao pediatra, realizar o acompanhamento com o profissional de confiança, aquele que a criança sempre vai, pois ele irá identificar alguma alteração e encaminhar a criança para investigação e tratamento especializado”, afirma a médica.

 

A pediatra aponta alguns sintomas que os pais ou responsáveis devem atentar na criança. São eles: palidez, sangramento espontâneo, hematomas, dor óssea, caroços e inchaços, febre persistente, suor noturno, alterações nos olhos (pupilas esbranquiçadas), estrabismo, perda de equilíbrio, tontura, fadiga, cansaço, letargia, alterações no comportamento da criança, dor de cabeça, vômitos persistentes, perda de peso, dor em membros e inchaço sem traumas.

 

Estudo associa uso de agrotóxicos em MT com incidência de câncer infantojuvenil

Uma pesquisa realizada por cientistas brasileiros mostra que a mortalidade por câncer infantojuvenil mantém relação com uso de agrotóxicos em Mato Grosso. O estudo, intitulado "Distribuição espacial da mortalidade por câncer infanto-juvenil e do uso de agrotóxicos no Mato Grosso, Brasil", foi publicado na revista científica Environmental Science and Pollution Research e conta com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). 

 

Os pesquisadores usaram dados de mortalidade por câncer infantojuvenil do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e dados sobre o uso de agrotóxicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para realizar o estudo. Eles também coletaram dados socioeconômicos e demográficos dos municípios em estudo.

 

Os resultados do estudo mostraram uma associação entre a mortalidade por câncer infantojuvenil e o uso de agrotóxicos em Mato Grosso. Os municípios com maior uso de agrotóxicos apresentaram taxas mais elevadas de mortalidade por câncer infantojuvenil. Além disso, o estudo também mostrou que os municípios com maior uso de agrotóxicos tinham menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e maior proporção de população rural.

 

Os autores concluíram que há uma relação entre o uso de agrotóxicos e a mortalidade por câncer infantojuvenil em Mato Grosso, e que essa relação pode ser explicada por fatores socioeconômicos e demográficos. Eles destacaram a importância de políticas públicas que promovam o uso sustentável da terra e a redução do uso de agrotóxicos, especialmente em áreas rurais onde a população está mais exposta aos impactos negativos do uso desses produtos.

 

Dia Mundial de Luta Contra o Câncer Infantil

Nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer Infantil, reforçando os sinais e sintomas do câncer nas crianças e adolescentes. Conforme o Inca, nacionalmente, o câncer infantil é a primeira causa de morte por doença em crianças e a segunda causa de óbito em geral. A primeira seria acidente. O Instituto estima que no triênio 2023/2025 ocorrerão, a cada ano, 7.930 novos casos de câncer em crianças e jovens de 0 a 19 anos de idade.

 

 

 

 

Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Governo de Mato Grosso