Investigadores da Policia Civil são acusados de extorsão em MT

A Corregedoria da Polícia Civil instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta de dois policiais da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Delatran). Ambos estão sendo acusados de extorsão durante o atendimento de uma ocorrência realizado em agosto deste ano (2015).
De acordo com as informações da portaria que determinou o PAD, E.C.O.C. e M.M.B, ambos investigadores de Polícia Judiciária Civil, foram atender uma ocorrência na avenida Jornalista Arquimedes Pereira Lima, a Estrada do Moinho, no dia 07 de agosto, por volta das 23h.
Um carro de passeio colidiu na traseira de uma motocicleta, deixando o piloto ferido. No momento em que a diligência era realizada, M., teria ficado resguardando a segurança do local, enquanto a investigadora E., foi para dentro da viatura junto com o motorista do carro de passeio, identificado como W.T.
"Onde teria, às vistas deste, realizado diversas operações de cálculos, como se estivesse computando valores referentes às multas que seriam aplicadas, custos de guincho, de pátio, pagamento de fiança e etc", diz trecho da portaria publicada no Diário Oficial.
Porém, conforme o motorista, momento depois, mas ainda dentro da viatura, a policial teria dito "O que tem para mim?", deixando a entender que, caso ele pagasse, não precisaria ir até à Central de Flagrantes sob a imputação de crime de trânsito, bem como evitaria a confecção de multas e outras providências.
Consta no relato que W. disse ter R$ 300 na carteira. Em seguida, a investigadora perguntou qual era a profissão dele, que respondeu ser fiscal da Prefeitura de Cuiabá. "Então você tem dinheiro", teria afirmado.
Após essa conversa, ela pediu um valor de R$ 1.300, sendo que os R$ 300 já estavam em posse do motorista e o restante ele deveria sacar em uma agência bancária próxima.
O motorista teria fingido concordar em efetuar o saque e o pagamento. Em seguida, a policial chamou o companheiro de trabalho e, juntos, foram até a agência do Banco do Brasil, na avenida Fernando Corrêa.
Mas o banco estava fechado. Em seguida, os três dentro da viatura, seguiram até o Extra Supermercado, onde o motorista saiu para sacar o dinheiro no caixa 24 horas, enquanto os policiais ficaram esperando no veículo, parado na rua lateral.
Dentro do estabelecimento, W. pediu o telefone celular de uma pessoa e entrou em contato com o Centro Integrado de Segurança Pública (Ciosp), através do número 190, e acionou a Polícia Militar. Para dar tempo, ele foi até o piso superior do mercado e aguardou a chegada dos militares.
Com a demora, os policiais civis entraram no supermercado e, ao chegarem no piso superior, W. começou a gritar, chamando-os de “corruptos” e que ele havia sido extorquido pelos agentes.
Os militares chegaram ao local, assim como outra equipe da Polícia Civil. Houve uma discussão acalorada entre os agentes da Segurança Pública e, por fim, todos foram parar na Central de Flagrantes do Carumbé.
"Ademais, o Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia em face dos dois servidores, ora processados, em concurso de agentes, demonstrando haver a presença de elementos que denotem justa causa para a completa apuração na esfera administrativa-disciplinar, através da instauração do Processo Administrativo", diz o documento.
Para a Corregedoria, “existem suspeitas de práticas de atos análogos à figura típica descrita no tipo penal de corrupção passiva, o que salienta, consequentemente, possível cometimento de transgressão disciplinar”, afirmou.
Foi determinada a suspensão das férias e de licença-prêmio dos investigados até a conclusão do processo. A portaria foi assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, Jesset Arilson Munhoz de Lima.
Autor: Yuri Ramires | Fonte: Redação/ Diário de Cuiabá | Foto: Ilustrativa
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