Irmão de estudante assassinado, vereador disputa Assembleia

Terceiro vereador mais bem votado na eleição de 2016 em Sinop, o bacharel em Direito Ícaro Francio Severo (PSDB) se lançou na disputa a uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, na chapa do governador Pedro Taques (PSDB).

 

O parlamentar é irmão do estudante de medicina Éric Francio Severo, assassinado em dezembro de 2014. Ele deve usar como mote de campanha a melhora da Segurança Pública no Estado. Apesar disso, não critica a gestão do governador tucano.

 

“É uma bandeira nossa há três anos, desde que iniciamos um trabalho. E vai ser, sim, um dos pontos chave das nossas cobranças. Sabemos que na gestão do governador Pedro Taques a segurança melhorou demais. Mas ainda podem ser feitas melhorias e vamos cobrar isso”, disse.

 

Ícaro defendeu a mudança do sistema penitenciário, com a criação de colônias penais agrícolas e que detentos possam prestar serviços enquanto estão presos, de modo a abater os gastos do Estado.

 

Segundo ele, o objetivo é que outras famílias não passem por tragédias parecidas pela qual sua família passou.

 

“O que me motivou foi buscar mais forças para lutar por essas melhorias para o nosso Estado. Tenho vontade, sim, de crescer ainda mais. A política é uma escada. São vários degraus. E cada um tem que ser preenchido por lideranças”, afirmou.

 

Financiamento e ajuda do pai

O candidato disse que fará uma campanha voltada para as redes sociais, assim como em 2016. Segundo ele, será uma forma de baratear seu projeto eleitoral.

 

Além disso, já descartou percorrer diversos municípios e irá se concentrar em Sinop e cidades do entorno.

 

“Não estamos muito preocupados com essa questão de orçamento de campanha, porque temos alguns pretensos doadores. Vamos atrás deles. Mas vamos buscar fazer uma campanha com o menor custo possível. Usar as redes sociais. Temos um nome forte lá e vamos trabalhar isso”, disse.

 

Por fim, Ícaro afirmou que, caso eleito, deverá usar da experiência do pai, o advogado Leonildo Severo, para ajudá-lo politicamente no Legislativo.

 

“Meu pai é uma escola para mim. Ele sabe muito de política. Já trabalhou por mais de 20 anos com política. Muitos que estão hoje lá em cima pediram sugestão para ele e eu tenho essas sugestões lá em casa, de graça. Vou aproveitar, com certeza, disso. Todo aprendizado que ele puder me dar, eu vou receber”, afirmou.

 

Morte do irmão

Eric Severo, que fazia medicina na Unisul, em Tubarão (SC), estava de férias em Sinop.

 

No dia 27 de dezembro de 2014, saiu com os amigos à noite, na caminhonete do pai, para se divertir.

 

Por volta de 22 horas, ele chegou ao bar e estacionou o carro ao lado de um poste. Caminhou cerca de 150 metros até o estabelecimento, quando foi abordado por dois bandidos.

 

Os assaltantes roubaram a caminhonete e percorreram cerca de 100 quilômetros com o estudante no carro e, depois, o mataram.

 

O corpo foi encontrado às margens de uma estrada entre o Distrito de Primaverinha, em Sorriso, e Lucas do Rio Verde.

 

Os pais do estudante chegaram a ir Brasília entregar na Câmara Federal mais de 111 mil assinaturas pedindo a aprovação da lei que aumenta a pena pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte).

 

Ao todo, quatro pessoas foram presas e condenadas pelo crime. Em 2017, a pena aplicada a um dos autores do latrocínio – roubo seguido de morte – teve redução de seis anos e nove meses. Com isso, o tempo de prisão caiu de 28 anos e nove meses para 22 anos, a mesma de outro dos condenados. A decisão partiu da 3ª Câmara Criminal do TJMT.

Autor: Douglas Trielli | Fonte: Redação / Mídia News | Foto: Reprodução