Juiz adia júri de réu acusado de matar jovem que reclamou de farol em posto

Leonardo de Araújo Costa Tumiati, juiz da 1ª Vara Criminal de Rondonópolis, cancelou a sessão de julgamento de Maroan Fernandes Haidar Ahmed, pelo Tribunal do Júri, que estava agendada para o próximo dia 19 de junho, por considerar que é curto o tempo para transportar o réu de Santa Catarina para Mato Grosso. O suspeito seria julgado pelo homicídio de Fábio Batista da Silva, 41, ocorrido em novembro de 2018 em um posto de combustível.

 

Fábio foi baleado ao pedir para o acusado baixar a luz do farol de sua caminhonete. Maroan chegou a ser preso e depois solto, mas só foi detido novamente em janeiro de 2023 em Santa Catarina, pouco mais de 4 anos após o crime, em uma operação contra tráfico internacional de drogas.

 

A defesa dele já havia tentado, na semana passada, adiar o julgamento com o argumento de que o casamento de um dos advogados de Maroan, Michel Saliba Oliveira, está marcado para o dia 19. O juiz, porém, negou este pedido por considerar que o réu tem outros advogados.

 

Em decisão mais recente, entretanto, acabou cancelando a sessão por entender que não daria tempo para transportar Maroan, que ainda está preso em Santa Catarina, até Rondonópolis.

 

“Diante do prazo exíguo para providenciar o recambiamento do réu para esta Comarca determino o cancelamento do Júri na data designada, bem como, suspenda-se o recambiamento. […] Expeça-se o necessário para comunicação, inclusive, ao Douto Juízo de Santa Catarina”, decidiu.

 

Ainda não foi designada nova data para o julgamento.

 

O caso
Fábio estava sentado em uma das mesas da conveniência do posto quando Maroan, que dirigia uma caminhonete Amarok branca, deixou o farol alto ligado em direção a todas aos clientes.

 

Com isso, Fábio foi até motorista e pediu que ele reduzisse a luz. Porém, houve uma discussão e, quando ele voltou, foi atingido por um tiro.

 

Testemunhas que estavam na conveniência acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar socorro, mas Fábio não resistiu e morreu no local. O suspeito fugiu do local em seu veículo.

 

Com ajuda das câmeras de segurança e de testemunhas, a polícia chegou até Maroan, identificando ele como o suspeito do crime. Ele não foi preso na época.

 

Meses após o crime, ocorrido em novembro de 2018, ele postou fotos das férias de fim de ano em alto mar em uma rede social. Em outra imagem, um prato cheio de camarões. O ato chegou a ser considerado deboche pelo poder judiciário.

 

Em 2021 ele foi baleado em um tiroteio registrado também em uma conveniência, agora em um posto na cidade de Ponta Porã (MS), a 313 km de Campo Grande.

 

 

 

 

Autor: Vinicius Mendes | Fonte: Redação/Gazeta Digital | Foto: Reprodução