Júri da “Chacina de Peixoto de Azevedo” é marcado em Sinop; trio responde por dois homicídios e duas tentativas

A Justiça de Mato Grosso marcou para o dia 18 de novembro de 2026, às 8h, o início do julgamento por Tribunal do Júri de Inês Gemilaki, seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, e Éder Gonçalves Rodrigues, acusados de dois homicídios consumados e duas tentativas no caso que ficou conhecido como a "Chacina de Peixoto de Azevedo". A decisão foi proferida nesta segunda-feira (28) pela juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, titular da 1ª Vara Criminal de Sinop.
Embora os fatos tenham ocorrido em Peixoto de Azevedo, em 21 de abril de 2024, o julgamento será realizado no Fórum de Sinop, em razão do desaforamento — a mudança de local deferida a pedido das defesas dos réus, exceção à regra que estabelece o julgamento no município onde o crime foi praticado.
O caso
Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os três acusados invadiram a residência de Erneci Afonso Lavall durante uma festa de confraternização e efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra os presentes. Dois homens morreram: Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo. Também foram atingidos o padre José Roberto Domingos e o próprio dono da casa, Erneci Afonso Lavall, que sobreviveram aos ferimentos.
A motivação apurada estaria ligada a uma desavença financeira entre Inês Gemilaki e Erneci, referente à locação de um imóvel pertencente à vítima. Segundo a acusação:
Inês Gemilaki teria efetuado os disparos que atingiram as quatro vítimas;
Bruno Gemilaki Dal Poz, armado com espingarda calibre 12, acompanhou a mãe e lhe deu suporte;
Éder Gonçalves Rodrigues dirigiu o veículo utilizado pelo grupo e fez a retaguarda.
Os três foram pronunciados e, após recursos das defesas, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a decisão que os levava a júri. Recursos posteriores ao Superior Tribunal de Justiça não foram conhecidos, e o processo retornou à instância estadual.
Regras de acesso e segurança
A sessão será presencial e seguirá normas específicas:
O plenário comporta 60 pessoas: 25 vagas destinadas a familiares e pessoas próximas das vítimas e dos réus; 30 vagas ao público em geral, mediante inscrição;
É proibida a entrada com celulares, smartphones, gravadores, notebooks e demais aparelhos eletrônicos, ressalvados equipamentos de uso oficial no julgamento;
Apenas a Assessoria de Imprensa do TJMT está autorizada a gravar áudio e vídeo da sessão; os demais veículos não poderão registrar imagens ou áudio no plenário;
A Polícia Militar fará reforço de segurança no Fórum e nas áreas adjacentes durante todo o decorrer do julgamento.
Prisões mantidas
Ao analisar a manutenção das medidas cautelares, a juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade avaliou que permanecem presentes os requisitos que justificam a prisão preventiva. "Não houve fato novo que justificasse a concessão de liberdade aos acusados", consignou a magistrada. Com isso, Inês, Bruno e Éder permanecem presos até a sessão de julgamento.
Caberá ao Conselho de Sentença, formado por jurados escolhidos no início da sessão, decidir pela condenação ou absolvição de cada um dos acusados das imputações de homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
- Fonte: Redação
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