Justiça manda soltar ex-diretor e agentes presos por fuga em cadeia

O ex-diretor e os dois agentes suspeitos de terem facilitado a fuga de 27 presos da Cadeia Pública de Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá, tiveram a liberdade concedida pela Justiça de Mato Grosso nesta quarta-feira (6).

 

Em fevereiro deste ano o grupo de presos fugiu pela porta da frente da cadeia, depois que duas mulheres seduziram e doparam dois agentes penitenciários durante uma ‘festinha’, libertando os detentos da unidade.

 

O ex-diretor Henrique Francisco de Paula Neto, e os agentes Luiz Mauro Romão da Silva, e Fabian Carlos Rodrigues Silva, estavam presos desde fevereiro na Cadeia Pública de Santo Antônio do Leverger, a 35 km da capital mato-grossense.

 

De acordo com o advogado de Henrique, Marco Antônio Dias Filho, o pedido de habeas corpus foi julgado pela Segunda Câmara Criminal. A expectativa é que os três agentes sejam soltos ainda nesta quinta-feira (7), já que o alvará de soltura foi concedido ainda durante a noite. O pedido da HC era especificamente ao ex-diretor, porém, a Justiça também concedeu a mesma liberdade aos agentes.

 

O advogado argumentou no pedido que o ex-diretor estava fora do expediente de trabalho no momento da fuga. “[Ele estava] em seu alojamento, dormindo e não percebeu qualquer movimentação que causasse suspeita, tendo tomado ciência do ocorrido somente no outro dia pela manhã, não se constatando sua participação no fato delituoso”, disse.

 

Na decisão, a Justiça estabeleceu medidas cautelares aos três investigados. A primeira é o pagamento da fiança de cinco salários mínimos, sendo R$ 3,940 mil por parte de Henrique e Luiz, e dois salários mínimos no valor de R$ 1,576 mil em relação a Fabian.

 


Outra medida determinada foi a suspensão dos exercícios das funções públicas. No entanto, de acordo com o advogado do ex-diretor, os três servidores continuam recebendo os salários de agentes penitenciários.

 

O ex-diretor e os agentes também deverão comparecer à Justiça mensalmente, e não poderão faltar aos procedimentos do processo. Conforme a decisão, os três estão proibidos de se ausentarem de Nova Mutum.

 

O caso


Na noite do dia 5 de fevereiro duas mulheres entraram na cadeia supostamente a pedido de dois agentes para uma ‘festinha’ entre eles. As duas jovens deram uísque e um remédio para dopar os servidores públicos e assim conseguirem soltar os presos. Segundo as investigações da polícia, uma das mulheres é irmã de um preso e a outra é namorada do detento. As jovens estão presas na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

 

Irregularidades


Depois da fuga em massa diversas irregularidades foram descobertas na cadeia, e envolviam corrupção por parte de alguns dos agentes. Pelas investigações e depoimentos de testemunhas, certos agentes cobravam dinheiro para permitir a entrada de itens proibidos na cadeia. Já o diretor cobrava entre R$ 100 até R$ 2 mil nos ‘serviços administrativos’. Era o diretor quem se ‘oferecia’ para ‘resolver’ os problemas dos presos.

 

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Civil de Nova Mutum, os agentes são acusados de exigir o pagamento de propina para facilitar a entrada de aparelhos celulares, bebidas e drogas dentro da Cadeia Pública de Nova Mutum. Até mesmo churrascos vinham sendo realizados no interior da unidade prisional. Sete agentes, contando com o ex-diretor e os dois servidores que foram dopados, estão afastados das atividades na Cadeia Pública desde então.

Autor: Denise Soares | Fonte: Redação / G1 MT | Foto: Arquivo (ubirata24horas) | Cidade: Nova Mutum