Justiça recebe denúncia contra pai acusado de matar filho de 2 anos em Sorriso

A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público (MPMT) contra Rairo Andrey Borges Lemos, de 21 anos, pela morte do próprio filho Davi Lucca da Silva Lemos, de 2 anos e 5 meses, em Sorriso (MT), em janeiro deste ano. A decisão é da 1ª Vara Criminal do juiz Rafael Depra Panichella do município e mantém a prisão preventiva do acusado.

 

Conforme a decisão judicial, o denunciado responderá por homicídio qualificado com agravantes previstas no Código Penal e também por posse irregular de arma de fogo. Segundo o MPMT, Rairo teria matado o filho, enquanto ele estava sob seus cuidados, por não aceitar o fim do relacionamento com a mãe da criança.

 

Indenização de R$ 1 milhão

O MPMT também pediu a fixação de indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais à mãe da criança. A análise desse pedido, no entanto, foi adiada para outro momento oportuno do processo.

 

Com o recebimento da denúncia, o caso passa a tramitar como ação penal. O acusado será citado para apresentar defesa por escrito no prazo legal.

 

Prisão mantida

Ao analisar o pedido de revogação da prisão preventiva feito pela defesa, o juiz negou o requerimento. Na decisão, o magistrado afirma que permanecem “inalterados todos os fundamentos” que justificaram a prisão cautelar.

 

O juiz destacou a gravidade do caso, e ressaltou que a manutenção da prisão é necessária para garantia da ordem pública e da instrução processual. Ainda conforme a decisão, condições pessoais favoráveis do acusado como residência fixa, trabalho lícito e primariedade não são suficientes para afastar a prisão preventiva.

 

O processo segue em andamento na 1ª Vara Criminal de Sorriso.

 

Relembre o caso

No dia 2 de janeiro, Davi foi encontrado inconsciente na cama e encaminhado ao Hospital Regional em estado gravíssimo pelo Corpo de Bombeiros, após vizinhos ouvirem barulhos e acionarem as autoridades. Apesar dos esforços, a criança não resistiu e teve a morte confirmada no hospital.

 

Rairo também foi encontrado na casa e supostamente teria tentado tirar a própria vida. Ele também chegou a ser encaminhado ao hospital. Na casa, a Polícia Militar localizou uma carta escrita por Rairo, na qual ele mencionava o fim recente do relacionamento com a mãe do menino, afirmava não aceitar a separação e fazia referências a causar mal a si mesmo e à criança.

 

A mãe de Davi relatou aos policiais que estava separada de Rairo havia cerca de duas semanas e que recentemente havia assumido um novo relacionamento. Ainda segundo ela, ao tomar conhecimento da situação, o homem passou a enviar mensagens insistentes e, ao longo do dia, se recusava a informar sobre o estado do filho ou devolvê-lo.

 

Diante do conteúdo da carta e das mensagens enviadas, a Polícia Militar deu voz de prisão à Rairo. No dia 8 do mesmo mês, a Polícia Civil concluiu o inquérito e o indiciou por homicídio qualificado e posse ilegal de arma de fogo.

 

No dia 21 de janeiro, o MPMT apresentou a denúncia, recebida agora pela Justiça. No documento, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino sustentou que o acusado “arquitetou um plano perverso para punir a ex-companheira, escolhendo como alvo o ponto mais sensível: a vida do próprio filho, um menor de apenas dois anos”.

 

 

 

Autor: Ana Julia Pereira Ana Julia Pereira/Jardes Johnson | Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Reprodução