Lafin ignora falta de vagas em creches, mas mantém investimento milionário em nova sede do Executivo

Cerca de 1,7 mil crianças aguardam por vagas em creches e pré-escolas no município de Sorriso. Os números alarmantes foram divulgados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, e constam em uma Ação Civil Pública (ACP) protocolada nesta terça-feira (29) contra a administração municipal.

 

No documento assinado pelos promotores Márcio Florestan Berestinas e Maisa Fidelis Gonçalves Pyramides, o órgão ministerial estabeleceu prazo de 90 dias para que o município apresente um plano de ampliação de vagas para a demanda reprimida.

 

“A oferta insuficiente de vagas na educação infantil não configura problema pontual. O município nunca ofereceu vagas em número compatível com a demanda”, diz trecho da petição inicial endereçada à 4ª Vara Cível da Comarca de Sorriso.

 

Entre os pedidos elencados pelos promotores de justiça, também está a elaboração de planejamento orçamentário adequado a fim de viabilizar a universalização da oferta de vagas na educação infantil, além da realização de audiências públicas para assegurar a participação da sociedade na elaboração e no monitoramento da execução do referido plano.

 

Se por um lado falta sensibilidade da administração para atender setores essenciais, por outro, sobra recursos públicos para concretização de obras nem tão urgentes, como é o caso da construção da nova sede Poder Executivo municipal. 

 

Lançado em agosto deste ano (2022), pelo prefeito Ari Genezio Lafin, o imponente projeto custará aos cofres públicos o equivalente a R$ 19,7 milhões. O valor é suficiente para sanar os problemas enfrentados na educação e que seguem sendo ignorados pelo atual gestor. 

 

Pedido de suspenção

O investimento considerado como não essencial, também gerou repercussão no Parlamento municipal. Nesta quarta-feira (30), a vereadora Jane Delalibera apresentou a Indicação 926/22 solicitando a suspensão da obra.

 

A justificativa é de que o recurso teria maior eficácia se destinado para a construção de unidades de saúde, a exemplo de um hospital e maternidade municipal.  

 

Segundo a parlamentar, mais urgente que um novo paço é oferecer à população espaços construídos de forma adequada, com melhores condições de atendimento. “Além da população reivindicar essa maternidade, temos locais alugados cuja estrutura física não atendem à demanda”, explica Jane.

 

Segundo ela, a construção de um hospital e maternidade devidamente equipado vai garantir ao cidadão seu direito à saúde, sem ter que se deslocar a cidades vizinhas para caso emergenciais mais graves.  “Temos conhecimento dos riscos do translado de um paciente em situação emergencial.  Com essa obra, o Município estará oferecendo a assistência necessária e os cuidados especializados aos enfermos, para que assim possam recuperar sua saúde”, frisou.

 

A indicação – subscrita pelos vereadores Rodrigo Machado (PSDB), Damiani (PSDB), Celso Kozak (PSDB), Acacio Ambrosini (Republicanos), Wanderley Paulo (Progressistas) e Zé da Pantanal (MDB) – será encaminhada à municipalidade.

 

*Com informações – Assessoria 

 

Autor: Michel Ferreira | Fonte: Redação | Foto: Divulgação/Arquivo

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