Ledur é novamente excluída de quadro de promoção dos Bombeiros na 7ª tentativa

A tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur, acusada como responsável pela morte do aluno Rodrigo Claro, de 21 anos, durante treinamento, foi novamente retirada da lista de candidatos à promoção da instituição por conta do processo que se arrasta desde novembro de 2016, quando Rodrigo teria morrido afogado após ser torturado durante atividades aquáticas da coorporação. 

 

Ainda conforme o Corpo de Bombeiros, a tenente foi excluída do quadro de acesso a promoção por tempo de carreira por não preencher o item "conceito moral" por responder ao crime de tortura. De acordo com a portaria, tal conceito moral é o conjunto de qualidades atribuídas, caracterizado pela honra, honestidade e seriedade que o militar estadual  deve possuir no desempenho de suas funções e no convívio pessoal "de modo a lhe conferir respeitabilidade perante a sociedade, seus superiores, pares e subordinados". 

 

O Tenente-Coronel Licínio Ramalho Tavares também teve o nome excluído do quadro de merecimento de promoção do Corpo de Bombeiros por não se adequar no mesmo item. Conforme denúncia, Licínio era coordenador do curso e o Tenente-Coronel José Ribamar dos Reis Marinho, instrutor das disciplinas de salvamento em altura estágio de prevenção e combate a incêndio florestal.

 

Os dois, segundo o Ministério Público Estadual (MPE), aproveitaram as funções que exerciam para vender aos alunos os materiais exigidos para a realização das aulas práticas como óculos, mosquetões, capacete, luva de raspa, cabo da vida, kit de salvamento, entre outros.

 

A denúncia relata que depoimentos de pelo menos 20 alunos confirmaram que os militares exigiram que os materiais de uso obrigatório fossem padronizados, dificultando a aquisição em outro lugar. Além disso, “aqueles que adquirissem com a coordenação os materiais e não honrassem com a data de pagamento, sofriam ameaças de punição”.

 

Os materiais comercializados, conforme apurado durante inquérito policial militar, tiveram um custo de aproximadamente R$ 850.

 

Caso Rodrigo Claro 

De acordo com a denúncia do MPE, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

 

Consta na denúncia que, embora os problemas do rapaz tenham chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

 

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência". A responsável pelos atos contra o jovem, segundo a denúncia, teria sido a tenente, como forma de punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

 

Seis tentativas de promoção 

Em maio deste ano, Izadora tentou, pela sexta vez, ser promovida ao cargo de capitã do Corpo de Bombeiros. Na época, a tenente havia sido considera apta a permanecer na cooporação pelo Conselho de Justificação. 

Autor: Bruna Barbosa e Barbará Sá | Fonte: Redação / RD News | Foto: Reprodução