LGBTs estão em alerta temendo ataques em Cuiabá

A informação de que um grupo de “extermínio LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros)” esteja em atuação em Cuiabá já começa a trazer preocupação. Numa postagem em uma rede social o “Manicongo-Coletivo LGBT” traz o alerta. A postagem relata um caso que ocorreu no último final de semana no Bairro Tijucal em Cuiabá. 

 

Na sexta-feira, por volta das 16 horas, uma pessoa teve a casa invadida no Bairro Tijucal e foi espancada por horas por duas pessoas. Um amigo contou que o namorado da vítima chegou a casa e a encontrou enforcada por um carregador de notebook. Por pouco a mesma não morreu. 

 

O Manicongo informou que também manteve contato com a vítima que confirmou a situação. O grupo ainda recebeu imagens das agressões sofridas. A vítima informou ainda que esteve na delegacia para registrar a ocorrência e foi informada que este não foi o primeiro caso. Segundo ela, os policiais afirmaram que este seria o quarto caso em apenas um mês. 

 

“A informação a respeito da gangue e outras vítimas foi fornecida, segundo a vítima, pelos policiais na hora de denunciar. Ainda estamos mapeando outros casos parecidos”, destaca trecho de postagem do coletivo. 

 

A página Manicongo alega ainda que o discurso de ódio está sendo cada vez mais naturalizado. “Precisamos denunciar e fazer a sociedade acordar para os horrores que tem acontecido, pois muitos ainda não levam a sério que o ódio está nos levando a experiências muito parecidas com o fascismo!”, diz publicação. 

 

Na página, a revolta e o temor referente às agressões são expressas. Nas ruas a ansiedade não é menor. L.B.S, de 32 anos, é uma das pessoas que temem por sua integridade e até mesmo sua vida. “A gente já vem de todo um histórico de preconceito e de não aceitação na sociedade. Temos que ser respeitados, acima de tudo somos seres humanos, iguais a qualquer um. Agora, já não basta o que sofremos nas ruas, ter a casa invadida e ser agredido por que as pessoas se acham superiores a nós é o cúmulo”, disse.

 

V.A.R também mostra temor diante da situação. “Muitos de nós já evita lugares e até mesmo prefere andar em grupo diante do preconceito e do risco que corremos no nosso dia-a-dia. Agora, não ter paz e não ser respeitado nem em casa é uma situação que nem tem explicação. Não temos a quem recorrer e nem com quem contar”, afirma. 

 

A assessoria da Polícia Civil afirmou que ainda não tem conhecimento de um “grupo de extermínio” LGBT, já que as investigações ocorrem por área. 

 

Segundo informações do secretário do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH), Rodrigues de Amorim Souza, em relação a suposta "gangue de extermínio a LGBT" em Cuiabá, que vem sendo veiculada nas redes sociais, ainda é prematuro afirmar sobre a existência de tais estruturas criminosas, sem antes ter uma investigação sobre o caso. 

 

“É fato que a homofobia, enquanto crime de ódio é estrutural e histórica e está presente em todo o tecido social, no entanto, seria leviano, afirmar qualquer fato criminoso, que envolva uma situação complexa, que é a formação de grupos de extermínios a exemplo dos que se presencia em outros estados, sem antes ter o respaldo de uma investigação policial”, disse. 

 

Em relação ao caso envolvendo o espancamento de um homossexual ocorrido na sexta-feira o secretário confirmou que já esta sendo acompanhado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, por meio do GECCH, bem como pelo Setor de Inteligência, para que sejam tomadas as devidas providências que o caso requer. 

Autor: Aline Almeida | Fonte: Redação / Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução / Ilustrativa