Maioria das vítimas de feminicídio morreu em casa e não há registro dos crimes

A maioria das mulheres vítimas de violência doméstica morreram em casa e nunca registrou boletim de ocorrência. É o que aponta um relatório técnico produzido pela Superintendência de Observatório de Segurança Pública depois de analisar 62 casos de feminicídio em Mato Grosso. Os dados levam em conta os números do ano passado.

 

Segundo o relatório, foram 62 mulheres vítimas de feminicídio em 2020. Do total de casos, 74% ocorreram dentro da própria casa, enquanto 16% foram em via pública. E 79% das vítimas não possuíam registros anteriores de violência doméstica, ou seja, nunca tinham feito boletim de ocorrência.

 

Das 62 vítimas, 10 tinham medida protetiva, enquanto que 52 não eram assistidas por medida protetiva, seja porque não fizeram boletim de ocorrência ou porque não foram amparadas pelo direito pela Justiça.

 

O principal meio usado para matá-las é arma branca – facas ou outros meios cortantes. 43 mulheres morreram dessa forma. Outras 11 foram mortas por arma de fogo e cinco pela força muscular e 3 casos por outros meios.

 

Interior do Estado

A maioria das vítimas de assassinatos tinham idade de 25 a 45 anos e os crimes ocorreram no interior, durante a madrugada, nos finais de semana. A motivação quase sempre é passional.

 

O secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, destacou que apesar do crescimento do registro de casos de violência doméstica, é necessário que as mulheres procurem a delegacia no primeiro sinal de ameaça.

 

“É muito difícil qualquer ação para um crime dentro do seio familiar, geralmente de madrugada, sem que alguém possa ouvir, e sem a comunicação da vítima da violência que padecia. Acredito que não é só a violência que está aumentando pela pandemia, mas que as mulheres têm comunicado mais e procurado a polícia”, destacou o secretário. 

 

 

Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Reprodução