Marchioro chora ao reafirmar inocência durante oitivas da CPI da Saúde

O ex-secretário de Saúde e Saneamento de Sorriso, Luis Fábio Marchioro, foi ouvido novamente nesta segunda-feira (1º), na condição de testemunha, pela Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) que apura o pagamentos irregulares de procedimentos cirúrgicos judicializados.

 

Já no início da oitiva, o ex-gestor negou que tenha influenciado na contratação dos três servidores responsáveis pelo departamento de assessoria jurídica, entre eles Marilei Oldoni Dias, apontada como uma das operadoras do esquema que causou dano superior a R$ 3 milhões aos cofres públicos do município.

 

“Ouvi apenas conversas, mas estaria sendo leviano em vir aqui e fazer uma afirmação sem provas. É só analisar quem não veio na CPI. Quem procurou habeas corpus para não prestar depoimentos (sic), disse em resposta a relatora da comissão de inquérito, vereadora Jane Delalibera.

 

Marchioro também negou qualquer intervenção no Conselho Municipal de Saúde – órgão responsável pela fiscalização dos recursos geridos pelo Fundo Municipal de Saúde. Ele ainda revelou que não dispunha de gestão plena da pasta a qual o controle financeiro era executado pela secretaria municipal de Fazenda.

 

“Se formos falar sobre responsabilidade, é do gestor da pasta. Agora se formos falar da realização da mão de obra para fazer isso; quem acompanha, quem faz o recebimento e os pagamentos é a secretaria municipal de Fazenda”, exemplificou.

 

Visivelmente abalado, Luis Fábio detalhou os momentos que antecederam o cumprimento de mandado de busca e apreensão, realizado pelo pela Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do qual foi alvo na manhã da última quinta-feira (28).

 

“Só acho que não havia necessidade de ir na minha casa, numa operação policial apreender um celular que eu já tinha colocado à disposição do MP [Ministério Público], assim como coloquei à disposição de vossas excelências”, disse se referindo aos membros da CPI da Saúde.

 

“Eu moro na casa da minha esposa. Até isso eu causei sem ela merecer. Na hora que eles [Gaeco] chegaram em casa minhas duas filhas estavam dormindo (…) eu olhei para ela [esposa] e pedi perdão. Disse eu não sou o culpado por isso, mas eles estão aqui dentro da sua casa por minha culpa. Sabe, ela não merecia isso”, relembrou. “Eu nunca peguei nada de ninguém e vai ficar provado isso senhoras e senhores”, disse Marchioro que chorou ao relembrar o drama vivenciado pela família.

 

O ex-secretário também teceu duras críticas ao relatório emitido pela controladoria-geral do município. Na avaliação dele, a forma com que o documento foi redigido evidencia a covardia com que os profissionais da secretaria de Saúde foram tratados.

 

“Deveriam ser mais respeitosos com esses servidores. Eles não podem ser penalizados porque duas pessoas mal intencionadas criaram uma organização criminosa dentro da secretaria de saúde. A procuradoria interna do município ficou quase um ano fazendo auditoria e veja se tem alguma denuncia contra a Marilei e contra a Samantha [Samanta Nícia Rosa Chocair – empresária apontada como líder do esquema]? Nesse tempo em abri minha sala. Eu estava preocupado em garantir os cuidados com a saúde durante a pandemia (…), concluiu.

 

No mesmo dia, a CPI também ouviu o secretário-adjunto de Saúde, Devanil Barbosa, e o paciente João Ventura de 57 anos que teve o nome usado indevidamente. Segundo o portal da transparência da prefeitura, ao todo foram emitidas 18 ordens de pagamentos por procedimentos cirúrgicos que nunca foram realizados.

 

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Fonte: Redação | Foto: Divulgação