Mato Grosso concentra 16% do desmatamento na Amazônia Legal

Entre os anos de 2019 e 2021, Mato Grosso foi o terceiro estado que mais concentrou desmatamento na Amazônia Legal, conforme dados do novo estudo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), divulgado esta semana. Intitulado ‘Amazônia em Chamas’, o relatório apontou que 16% de todo o desmatamento no bioma aconteceu em terras mato-grossenses no último triênio.
Os números deixam Mato Grosso atrás apenas dos estados do Pará, que concentrou 43% da destruição, e do Amazonas (18%), estado que assumiu a segunda colocação, ocupada anteriormente por Mato Grosso. Rondônia (13%) foi o quarto estado com maior concentração de desmatamento, seguido de Acre (7%), Roraima (2%), Maranhão (1%), Amapá (0,03%) e Tocantins (0,03%).
Por aqui, nos últimos três anos, o desmatamento esteve concentrado principalmente em terras de uso privado. Cerca de 40% de toda a destruição ocorrida em imóveis rurais, ou seja, em propriedades agrícolas certificadas, aconteceu em Mato Grosso. O estado concentrou ainda 6% do desmatamento em assentamentos rurais, 5% em áreas protegidas e 10% em terras públicas não destinadas.
As áreas de maior aumento absoluto do desmatamento estão principalmente no noroeste do Estado, na região de Colniza, cidade que tem como principal atividade econômica a madeireira, e Aripuanã, cujas terras indígenas têm sido alvo frequente de garimpos ilegais e extração de madeira.
O relatório mostra ainda que houve um crescimento significativo do desmatamento no estado no comparativo entre o triênio que vai de 2016 a 2018 e o triênio que vai de 2019 a 2021. Em termos relativos, Mato Grosso apresentou um crescimento de 35%, passando de 1334 km² de área destruída entre 2016 e 2018 a 1797 km² nos últimos três anos.
Conforme defende o IPAM, o avanço da destruição ambiental vivido atualmente pelo Brasil deve-se fortemente a fatores como enfraquecimento de órgãos de fiscalização, falta de punição a crimes ambientais, bem como pela redução de ações imediatas de combate e controle e pelos retrocessos legislativos.
“Estamos subindo degraus rápido demais quanto à destruição da Amazônia e não podemos nos acostumar com isso. Quando olhamos para os números dos últimos três anos, fica claro o retrocesso daquilo que o Brasil foi um dia. Seguimos um caminho totalmente oposto às atitudes que o planeta precisa, com urgência, neste momento”, diz Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM e principal autora do estudo.
Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Governo de Mato Grosso
