Mato Grosso registra 34 feminicídios em 2026; junho é o mês mais violento e maioria das vítimas não havia denunciado

Levantamento do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aponta que o estado já registrou 34 feminicídios ao longo de 2026. Os números revelam que junho foi o mês mais violento, com sete mortes. Em seguida aparecem março e agosto, com seis casos cada. Setembro já começou com uma vítima — um crime ocorrido no dia 2, em Araguaiana — e um novo assassinato, registrado em Feliz Natal no último fim de semana, ainda não foi computado pelo observatório.

 

Primeiro caso de setembro traz alerta sobre reincidência e falta de proteção

O primeiro feminicídio de setembro vitimou Suenilda Vieira, de 37 anos, assassinada a tiros pelo marido, Fábio Júnior Januário Dias, de 42 anos, em Araguaiana, a 565 km de Cuiabá. O autor também tentou matar os dois filhos do casal, e um deles foi atingido na perna. Consta que Fábio já havia sido denunciado por violência doméstica contra a vítima em 2013, mas Suenilda não possuía medida protetiva. Ele morreu em confronto com policiais militares da Força Tática.

 

Distribuição por municípios e meses

Cuiabá é o município com maior número de vítimas em 2026, com cinco registros. Em seguida aparecem Várzea Grande e Vila Bela da Santíssima Trindade, com três casos cada. Tangará da Serra, Poconé e Nova Bandeirantes registraram dois feminicídios cada. Outras 17 cidades do estado contabilizam uma vítima cada.


A concentração de mortes aos domingos chama a atenção: foram nove registros. Seguem-se as segundas-feiras (seis), sábados (cinco), terças (quatro), sextas (dois) e quartas e quintas (um caso cada). Quanto ao horário, 13 crimes ocorreram à noite, 12 à tarde e nove pela manhã.

 

Meios empregados e motivações

As armas cortantes ou perfurantes foram o meio mais utilizado, responsáveis por 15 mortes. Armas de fogo e estrangulamento/asfixia responderam por sete casos cada. Houve ainda dois casos por instrumento contundente, dois por atropelamento e um por espancamento.


Entre as motivações identificadas, ciúmes, sentimento de posse e machismo lideram, associados a dez crimes. O menosprezo e discriminação pela condição de mulher aparecem em nove casos. Separação ou tentativa de rompimento e discussões aparecem em seis casos cada. Um caso teve motivação financeira e em outro a motivação não foi identificada.

 

Dados que chamam atenção: denúncias e medidas protetivas

O dado mais alarmante é que dos 34 feminicídios registrados, apenas nove vítimas haviam apresentado denúncia contra o autor. Em 25 casos, não havia qualquer registro anterior. Apenas duas mulheres possuíam medida protetiva quando foram assassinadas.


Os 34 crimes já deixaram 47 crianças e adolescentes órfãos em Mato Grosso.

 

Comparação com anos anteriores

Os números de 2026 vêm em sequência a um ano de números elevados: em 2025, 54 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso — o segundo maior número dos últimos sete anos. Assim como em 2026, junho foi o mês mais violento também em 2025, com dez mortes. O recorde da série histórica permanece em 2020, ano da pandemia, com 62 vítimas.
Dos 34 casos contabilizados, o Ministério Público já denunciou 15 autores. Em seis ocorrências, o autor morreu durante ações policiais. Nos demais casos, as informações processuais ainda não estão disponíveis.
 

 

 

  • Fonte: Redação/Assessoria
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