Mato Grosso tem 1ª safra colhida com máquinas movidas a biodiesel de soja

Uma fazenda em Diamantino (MT) chamou atenção ao concluir, na última semana, a primeira colheita de soja realizada inteiramente com máquinas movidas a B100, biodiesel puro produzido a partir do óleo de soja. Além do transporte rodoviário, o combustível também vem sendo usado em maquinários agrícolas, apontado por especialistas como uma alternativa que diminui até 99% a emissão de gases poluentes.
Segundo Arnaldo Ferrando, gerente regional agrícola da Amaggi, proprietária da fazenda em que a colheita aconteceu, o desempenho operacional das máquinas não apresentou perdas relevantes com o uso do biocombustível. Ele destaca ainda que a eficiência se mantém equivalente ao diesel fóssil na maior parte das operações.
“Não temos perda de potência, nem aumento significativo de consumo, exceto em operações muito pesadas. Em plantio, colheita e atividades normais, não temos sentido isso. Temos máquinas com mais de 9 mil horas trabalhadas já com o B100”, contou o gerente.
Além do aspecto ambiental, o uso do B100 também representa uma alternativa estratégica do ponto de vista econômico e produtivo. Produzido a partir da soja cultivada na própria fazenda, o gerente aponta que o combustível pode contribuir para agregar valor à produção agrícola e reduzir a dependência de insumos externos.
“É uma alternativa competitiva nessa pegada ambiental e também um combustível estratégico, especialmente em momentos de turbulência, como guerras e escassez de petróleo fóssil”, completa Ferrando.
Ele explica que, embora o B100 possa ser utilizado de forma integral, também é possível misturá-lo ao diesel S-10, ampliando gradualmente a participação de fontes renováveis em uma das principais fontes de energia para o agro, semelhante ao que já acontece com o etanol na gasolina.
Discussão ampliada
O avanço do biodiesel ganha ainda mais o debate no planejamento das próximas safras diante de um cenário geopolítico global ainda instável, que tem pressionado os preços e a oferta de combustíveis fósseis. Conflitos internacionais, restrições logísticas e oscilações no mercado de petróleo aumentam o risco de desabastecimento e podem elevae os custos de produção no campo.
Nesse cenário, medidas como a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel surge como uma estratégia para reforçar a segurança energética nacional. Entidades como a Aprosoja-MT também defendem o aprofundamento da discussão sobre o uso do B100.
Em cenários extremos, a escassez do combustível fóssil pode comprometer a produção de alimentos. Por outro lado, a possibilidade de produzir biodiesel dentro da própria cadeia agrícola, por cooperativas, agroindústrias e produtores organizados, pode ampliar a autonomia do setor e reduzir vulnerabilidades.
Autor: Marcos Salesse | Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Amaggi
