Mato Grosso tem 13 mortes e mais de 26 mil casos de dengue em quatro meses

Os casos de dengue avançam em Mato Grosso. Neste ano, o Estado registrou 26.500 casos da doença e atingiu 300 ocorrências para cada 100 mil habitantes.

 

O cenário é preocupante, e a Secretaria de Estado de Saúde está alertando os gestores municipais para que intensifiquem o combate ao mosquito Aedes aegypti, que provoca a dengue e outras enfermidades, como a zika e chikungunya.

 

Atualmente, 81 (75%) dos 141 municípios mato-grossenses apresentam alto risco de contaminação da dengue.

 

Dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde mostram que a incidência da doença que, no ano de 2019 era de 205,9, subiu para 792,3 a cada 100 mil habitantes (o levantamento considera os quatro primeiros meses de 2020, ou seja, é parcial até o dia 23 deste mês).

 

Divulgado pela assessoria de imprensa do órgão, o relatório aponta 13 mortes causadas pelo agravamento dos sintomas da enfermidade. Os registros de óbitos estão distribuídos entre 10 municípios.

 

Os municípios com maior registro de notificações são Sinop, com 6.319 casos e três óbitos confirmados e uma morte em investigação; Rondonópolis, com 1.162 casos e um óbito; e Cuiabá, com 375 ocorrências.

 

“A dengue não é mais uma doença sazonal para Mato Grosso e, sim, epidêmica”, alertou a superintendente de Vigilância em Saúde, Tatiana Helena Belmonte.

 

“Com isso, há alto risco para esses agravos, o que coloca os gestores municipais em estado de alerta, sendo importante intensificar as ações preventivas de combate ao mosquito transmissor. A população pode contribuir nesse combate, limpando reservatórios de água e eliminando possíveis criadouros”, completou.

 

Em Várzea Grande, além do registro de 232 casos de dengue, também foram registrados 28 casos de chikungunya, sendo um óbito pela doença.

 

De acordo com o boletim epidemiológico, 540 casos de chikungunya foram registrados neste ano, enquanto que em 2019 foram notificadas 420 ocorrências.

 

Neste caso, três municípios estão em classificação de alerta, sendo eles, Várzea Grande (28), Cuiabá (25) e Sinop (12).

 

Segundo Tatiana Belmonte, os municípios com registros de óbitos têm plano de contingência para dengue, chikungunya e zika, contam com profissionais da saúde que receberam capacitação para classificação de risco e médicos capacitados para o manejo clínico dessas arboviroses.

 

A superintendente ainda reforçou que os municípios que estão em alto risco para dengue, mesmo em meio à pandemia da Covid-19, devem ter a atenção organizada para atender aos casos de dengue.

 

A fim de evitar mais casos de dengue no Estado, a Secretaria de Saúde realiza oficinas de atualização em manejo clínico aos municípios que compreendem as 16 regionais de saúde de Mato Grosso.

 

Paralelamente às oficinas de atualização, a secretaria também auxiliou os municípios na construção do Plano Regional e Municipal de Contingência as arboviroses dengue, zika e chikungunya e tem mantido a distribuição de insumos estratégicos, como inseticidas e larvicidas utilizados como medida complementar ao controle do vetor.

 

O órgão estadual ainda tem realizado controle de qualidade na identificação das larvas do Aedes, encontradas e coletadas nos municípios, além de cooperação técnica.

 

A dengue e chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito e apresentam sintomas parecidos.

 

Os principais sintomas são febre e náuseas, dor abdominal, exantema (irritação da pele), dor de cabeça, dor retroorbital (dor ao redor dos olhos) e principalmente dor abdominal.

 

“Às pessoas com febre e mais sintomas associados, que estejam em local de transmissão da dengue e da chikungunya, é recomendado que procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima para receber o tratamento adequado. Nesse período de estiagem, as pessoas tendem a armazenar água, mas também é importante manter esses reservatórios limpos e fechados”, orientou Belmonte.

 

 

Autor: Joanice de Deus | Fonte: Redação/Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução