Mato Grosso tem a 8ª maior taxa de homicídio de mulheres do Brasil

Dados divulgados pelo Atlas da Violência 2021, na terça-feira (31), revelam que Mato Grosso ainda figura entre os estados mais violentos contra mulheres no Brasil. Nesta edição, a publicação realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Ministério da Economia, traz dados referentes ao ano de 2019.
Conforme o Atlas, o estado registrou a 8ª maior taxa de homicídio contra mulheres do país. Enquanto em 2019 a taxa de homicídio foi de 3,5 a cada 100 mulheres no Brasil, em Mato Grosso esse número saltou para 5,0, empatando numericamente com a Bahia.
Os outros seis estados com as maiores taxas foram Alagoas (5,1), Rio Grande do Norte (5,4), Pará (5,5), Amazonas (5,7), Acre (7,5) e Roraima (12,5). Na outra ponta, com dados abaixo da média nacional, estão as unidades federativas Paraná (3,5), Paraíba (3,4), Distrito Federal (3,3), Santa Catarina (3,2), Maranhão (3,2), Piauí (2,8), Minas Gerais (2,7), Rio de Janeiro (2,5) e São Paulo (2,7).
Em números absolutos, houve 84 homicídios de mulheres em 2019 no estado de Mato Grosso. O número representa uma tímida queda de 4,5% em relação ao ano anterior, quando o estado registrou 88 mortes dessa natureza. No comparativo de dez anos, entre 2009 e 2019, a variação foi de -10,6%. O que mostra uma desaceleração um pouco menor que a nacional, que foi, durante este mesmo período, de -12,4%.
Os dados correspondem ao total de mulheres vítimas da violência letal, o que inclui tanto circunstâncias em que as mulheres foram vitimadas em razão de sua condição de gênero feminino, ou seja, em decorrência de violência doméstica ou familiar ou quando há menosprezo ou discriminação à condição de mulher, como também em dinâmicas derivadas da violência urbana, como roubos seguidos de morte e outros conflitos.
Violência doméstica no país
Conforme a publicação, a análise dos últimos onze anos indica que, enquanto os homicídios de mulheres nas residências cresceram 10,6% entre 2009 e 2019 no Brasil, os assassinatos fora das residências apresentaram redução de 20,6% no mesmo período, indicando um provável crescimento da violência doméstica.
O uso de armas
A pesquisa ressalta que uma característica que distingue os homicídios de mulheres ocorridos dentro e fora das residências é o instrumento utilizado. As armas de fogo são o principal instrumento utilizado em homicídios de mulheres fora das residências, 54,2% dos registros, enquanto nos casos dentro das residências essa proporção foi consideravelmente menor, de 37,5%.
Isto porque é comum que armas brancas e outros tipos de armas sejam mais utilizadas em crimes cometidos no contexto de violência familiar e doméstica, dado que a fatalidade geralmente decorre de um conflito interpessoal que vai crescendo e no qual o autor da violência costuma recorrer ao objeto que está mais próximo para agredir a companheira.
Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Divulgação/ Governo de Mato Grosso
