Medalhista de ouro, paratleta será homenageado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso

Titular absoluto da seleção mato-grossense e atual capitão da seleção brasileira de goalball, Romário Diego Marques, ou “Romarinho” como é popularmente conhecido, ainda comemora a conquista inédita da medalha de ouro na Paralimpíada de Tóquio (Japão).

 

Mato-grossense de coração, o paratleta de 32 anos se tornou inspiração para milhões de crianças e adolescentes portadoras de deficiência visual.

 

Aliás, foi com o objetivo de difundir a modalidade esportiva, que o deputado estadual Xuxu Dal Molin (PSC) propôs o Projeto de Resolução 194/2021 para conceder ao atleta a Medalha de Honra ao Mérito Esportivo “João Batista Jaudy”.

 

Criada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), por meio da Resolução 6.597/2019, o título busca homenagear personalidades em reconhecimento às ações de incentivo, pesquisa, ensino e divulgação, prestados ao esporte mato-grossense.

 

Apresentado na sessão plenária desta quarta-feira (15), o projeto de resolução está sob análise da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto.

 

“O esporte é um mecanismo importantíssimo para promover a inclusão de jovens e adultos, em especial da Pessoa com Deficiência (PcD). A mensagem que queremos transmitir com essa propositura é a de que todos, sem exceção, são capazes de alcançar seus objetivos independente de qual seja a limitação física”, pontua Xuxu Dal Molin.

 

Na avaliação do parlamentar, os jogos paralímpicos motivaram e reavivaram a esperança de milhões de telespectadores diante dos problemas enfrentados pela pandemia da covid-19.

 

“Eles [paratletas] motivaram a todos. A cada disputa, a cada medalha conquistada, a cada demonstração de superação (…). Se pudesse definir a Paralimpíada de Tóquio em uma única palavra, certamente ela seria: inspiração”, concluiu Dal Molin.

 

Superação

Portador de retinose pigmentar, doença de origem genética que afeta em média 1 em cada 4 mil pessoas no mundo, “Romarinho” tem uma relação intrínseca com o esporte.

 

Antes mesmo do nascimento, seu nome já havia sido escolhido em homenagem ao camisa 11 da seleção tetracampeão, Romário de Souza Faria, o eterno “Baixinho”.

 

A deficiência que o impediu de “brilhar” nos gramados, foi a mesma que aproximou o jovem atleta do ainda desconhecido goalball e, que anos mais tarde, o conduziria ao cobiçado posto de capitão da seleção brasileira.

 

De lá para cá, foram três participações em jogos paralímpicos, sendo o primeiro deles em 2012 (Londres), 2016 (Rio de Janeiro) e em 2021 (Tóquio) que lhe renderam, respectivamente, as medalhas de prata, bronze e o inédito ouro.

 

Para coroar o feito histórico da seleção, o atleta de Mato Grosso balançou a rede na goleada de 7 a 1 conta a temida equipe da China.

 

O Esporte

Ao contrário de outras modalidades paralímpicas, o goalball foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência visual.

 

Os atletas são divididos nas categorias: cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância (B1), atletas com percepção de vultos (B2) e aqueles que conseguem definir imagens (B3).

 

Para garantir a igualdade na competição, todos os atletas, independentemente do nível de perda de visão, utilizam uma espécie de venda nos olhos.

 

Cada equipe é composta por três jogadores titulares e o mesmo número de reservas que tentam atingir o fundo da rede da equipe adversária.

 

Para facilitar o posicionamento dos atletas, a quadra de goalball é dividida em três áreas: defesa, neutra e ataque.

 

Baseado na percepção tátil e auditiva, o esporte é praticado em silêncio. Isso porque os atletas se localizam através de um som emitido por um guizo instalado no interior da bola que mede 76 centímetros de diâmetro e pesa 1,25 kg.

 

*Com informações Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)

 

Autor: Michel Ferreira | Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Takuma Matsushita/CPB