Melhora quadro de saúde de Maria Clara, que luta contra hidrocefalia

Maria Clara, de 3 anos, diagnosticada com hidrocefalia nos primeiros meses de vida, está melhor de saúde. Um sinal da melhora dela é a redução do diâmetro cerebral, que já foi 93 e caiu para 81. A menina se alimenta com leite especial e sopas na mamadeira. Recebeu alta do hospital e já está em casa – uma quitinete alugada – sendo atendida pelo serviço home care. É o que diz o pai dela, Claudemir Dias, que é de Alta Floresta, a 774 quilômetros da capital. Mas, desde que Maria Clara nasceu, ele largou tudo – cidade, trabalho, família – para cuidar da menina, que é a sexta filha. Por isso conta com ajudas solidárias à causa.
A mulher de Claudemir abandonou o lar há dois anos e, segundo ele, “foi cuidar somente da própria vida”. Por conta disso, é a avó, mãe de Claudemir, que cuida das outras crianças e adolescentes, de 8 a 16 anos. Maria Clara, que passou por uma intervenção cirúrgica dia 17 de novembro, para colocação de uma válvula na cabeça, melhorando o escoamento do líquido. A recuperação dela surpreendeu, mas os médicos ainda não autorizaram o retorno da paciente para Alta Floresta.
Por isso, Claudemir continua em Cuiabá, em uma quitinete no bairro Centro Sul, próximo ao Hospital Geral, sem emprego, sobrevivendo de doações. “A gente conseguiu muita ajuda até agora. Muitas pessoas depositaram dinheiro em nossa conta, eu guardei e com isso consigo pagar o aluguel da quitinete. Minha preocupação é que não há previsão de alta e o doutor não dá nenhuma esperança ainda de que vamos voltar logo para casa. Estamos aqui com o apoio das pessoas, porque desde que ela nasceu eu consegui trabalhar bem pouco”.
A única complicação do momento é que Maria Clara deve mesmo precisar de sonda. “Ela toma bem o leite e sopas, mas quarta-feira vamos fazer uma avaliação melhor disso, explica o dedicado pai.
Apesar da melhora, de modo geral, a hidrocefalia comprometeu bastante a vida de Maria Clara, que não anda, não fala e não tem coordenação motora. Depende de mim para tudo.
O diagnóstico era de que ela viveria de 30 a 40 dias. Mas, em maio deste ano, Maria Clara faz 4 anos. “Os médicos hoje falam que sim, que ela tem chance de sobreviver sim, mas tudo é por Deus, porque o quadro dela é uma curiosidade médica mim totalmente para tudo”, destaca Claudemir.
Mesmo com muitos limites, a menina surpreende a medicina, porque, quando ela tinha três meses de idade, especialistas de Cuiabá pediram tomografia e ressonância, fizeram vários exames e deram um diagnóstico difícil. Hidranencefalia. O pai lembra que “na época a gente não tinha tanto conhecimento dessa doença, não sabia como lidar com ela, me apertou o desespero, porque uma notícia dessas ninguém gosta de ter”.
O diagnóstico era de que ela viveria de 30 a 40 dias. Mas, em maio deste ano, Maria Clara faz 4 anos. “Os médicos hoje falam que sim, que ela tem chance de sobreviver sim, mas tudo é por Deus, porque o quadro dela é uma curiosidade médica, porque uma criança que tem esse tipo de problema dificilmente passa dos dois anos. Para eles, os médicos, Maria Clara é uma surpresa”.
O pai agradece os apoios mas diz precisar de mais ajuda. “Na verdade a gente está bem, graças a Deus, mas eu não sei quanto tempo ainda vou ter que ficar por aqui. Meu custo é bastante alto, porque é aqui e lá com minhas crianças também. Agora vão começar as aulas e tenho que garantir material escolar para meus filhos”, preocupa-se.
A menina conseguiu tratamento depois de uma reportagem exibida pela TV Nativa, que acionou o Conselho Estadual da Criança (CEDCA). Após tomar conhecimento do caso, o CEDCA viabilizou tratamento em Cuiabá para Maria Clara, que está na Capital desde então.
AJUDA MÉDICA E DOAÇÕES
Claudemir abriu uma conta poupança na Caixa Econômica Federal (CEF) para receber ajuda financeira. Para colaborar com a família, os interessados podem fazer depósitos de qualquer quantia na Conta número 71451-7, operação 13, na Agência 1385. O telefone de contato de Claudemir é (66) 9239-5207, em Alta Floresta.
O QUE É HIDROCEFALIA
Hidrocefalia é o acúmulo anormal e excessivo de líquido dentro dos ventrículos ou do espaço subaracnóidea. É tipicamente associado com dilatação ventricular e aumento da pressão intracraniana; pode ocorrer em crianças (diversas faixas etárias) ou adultos, tendo causas específicas. A Hidranencefalia é uma forma de hidrocefalia, associada a falta de massa encefálica.
Pode ser classificado como hidrocefalia comunicante ou não comunicante, dependendo da sua etiologia; outro termo utilizado é a hidrocefalia evacuo, quando relacionado com atrofia cerebral.
Hidrocéfalo não comunicante se refere à hidrocefalia que resulta de lesões que obstruem o sistema ventricular e hidrocéfalo comunicante se refere a lesões que afetam e obstruem o espaço subaracnóidea.
Causas:
Algumas causas de hidrocefalia infantil podem ser por obstrução liquida, tais como: glicose, cisto colóide, gliomas, craniofaringeomas, cistos de aracnoide, medulo blastomas, ependimomas, astrocitomas, tumores, estenose. (Fonte: ABC da Saúde Informações Médicas Ltda.)
Autor: Keka Werneck | Fonte: Redação / G1 MT | Foto: Reprodução | Cidade: Alta Floresta
