Mendes critica fim da escala 6×1 e cita jornada de 16h nos EUA

O senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União), voltou a se posicionar contra a proposta de acabar com a escala 6×1 ao questionar mudanças na legislação trabalhista. Ele defendeu maior liberdade na relação entre empresas e empregados.
“Essas mudanças feitas sem muita profundidade podem ser muito ruins e graves ao País. Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos”, afirmou na noite de segunda-feira (5), durante encontro com outros políticos de direita para analisar as articulações para campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno.
Segundo Mendes, há "milhares" de trabalhadores brasileiros que procuram os Estados Unidos, onde a legislação trabalhista é menos rigorosa.
“Nós temos milhares e milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. E ganham muito mais por isso e têm uma qualidade de vida melhor”, afirmou.
“No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo!”, disse.
A CLT libera 8 horas diárias e 44 semanais, com acréscimo de até duas horas extras por dia, mediante acordo. Assim, uma jornada de 11 horas pode representar descumprimento das normas trabalhistas, mas isso é diferente de trabalho escravo. A regra não estabelece que 11 horas de trabalho automaticamente sejam uma jornada exaustiva para fins penais.
Defende reforma
Mendes sinalizou ser favorável a uma reforma ampla das leis trabalhistas, sob o argumento de que o acesso à informação permitiria aos trabalhadores cuidar dos próprios interesses, reduzindo a necessidade de proteção estatal.
“Nós temos que reformar numa amplitude de um mundo moderno, onde as pessoas não são mais imbecis ou desinformadas como eram antigamente. Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo, que tem que criar leis rígidas para proteger o trabalhador”, disse.
"Tem que ter mais liberdade econômica para que haja uma capacidade do país se desenvolver economicamente e os próprios trabalhadores produzirem mais, ganharem mais, flexibilizando algumas regras que, ao meu ver, não são produtivas e não são eficientes para o Brasil", afirmou.
Pauta do Senado
A discussão sobre o fim da escala 6×1, em que o empregado trabalha seis dias e folga um, foi pautada no Senado para esta terça-feira (6), com outras sessões previstas para quarta (7) e quinta-feira (8).
A PEC 221/2019 prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e assegurar dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Um dos dias de descanso deve ser preferencialmente aos domingos.
- Fonte: Redação/Mídia News
- Autor: Cíntia Borges/Vitória Gomes
- Foto: Reprodução/Yasmin Silva/MidiaNews



