Ministério Público dá 24 horas para PM explicar presença de militar em protestos

Após um helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) sobrevoar o colégio Notre Dame de Lourdes na manhã desta quinta-feira (02), o promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta, da 13ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, deu um prazo de 24 horas para que a Corregedora-Geral da PM e aos Comandantes Gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT) expliquem a participação de militares no episódio.



Conforme nota divulgada à imprensa na tarde desta quinta-feira, o promotor ainda requisita informações sobre eventuais providências já implementadas para impedir que militares da ativa participem de atos político-partidários no território nacional, inclusive com a utilização e emprego de arma de fogo da corporação.



O sobrevoo aconteceu na manhã desta quinta-feira (02) e, conforme a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), foi realizado a pedido da própria escola. O ofício foi encaminhado pelo colégio com data de quarta-feira (01), um dia após ser divulgado que a instituição suspendeu uma professora por três dias após emitir opinião contrária ao governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido).



Em vídeo, é possível observar o momento em que a aeronave passa pela unidade escolar, bem como alguns alunos aglomerados registrando a ação. Na imagem é possível ver que um tripulante aparece segurando a bandeira do Brasil.



REPRESENTANTES POLÍTICOS SE MANIFESTARAM

O voo da aeronave no pátio de um colégio católico um dia após uma professora ser expulsa por fazer críticas a Bolsonaro ganhou repercussão nacional. Sites como Uol e G1 repercutiram a ação. Devido à polêmica e de uma suposta tentativa de intimidação, políticos mato-grossenses se manifestaram sobre o caso.



O deputado estadual Lúdio Cabral (PT), por exemplo, afirmou, por meio de suas redes sociais, que irá acionar na Justiça o governador Mauro Mendes (DEM) e o secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, por uso da máquina pública para “festa privada”. O parlamentar classifica o episódio como sendo um "ato intimidatório".



Companheiro de partido (PT), o deputado Valdir Barranco foi outro que resolveu se pronunciar a respeito do caso.  O petista chamou a ação de "absurdo" e cobrou explicações tanto do governador Mauro Mendes (DEM) quanto do comandante geral da Polícia Militar.



Entre os bolsonoristas, o deputado Elizeu Nascimento (PSL) compartilhou o vídeo do voo, reforçando que o ato teria sido um pedido do próprio colégio. Em sua publicação, o pesselista ainda destacou um slogan bastante utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro: “Deus acima de tudo, Brasil acima de todos!".



Já Gilberto Cattani (PSL) utilizou o episódio da fala da professora para reforçar a importância do Projeto 'Escola Sem Partido',  movimento que se coloca como representante de pais e estudantes contrários ao que chamam de "doutrinação ideológica de esquerda" nas escolas.



A assessoria do Colégio Notre Dame de Lourdes afirmou que a ação faz parte das atividades em comemoração ao feriado de 7 de setembro, Independência do Brasil, e que já havia sido programado há dias. Disse ainda que o episódio não tem nada relacionado com o caso da professora e que seria apenas uma "coincidência".

 

"Em nenhum momento da sua trajetória (o colégio) envolveu-se com posicionamentos político-partidários e, ao mesmo tempo, nunca se furtou de propor aos alunos a discussão de ideias", narra trecho da nota emitida pela instituição.



Já a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), responsável pelo Ciopaer, reforçou o apontamento do colégio de que a ação faz parte da Semana da Pátria e destacou que o pedido do ato foi solicitado pela própria unidade de ensino.



MANIFESTAÇÃO 7 DE SETEMBRO

No último dia 30 de agosto, o juiz Marcos Faleiros, da Décima Primeira Vara Especializada de Justiça Militar, comunicou ao Comando Geral em Mato Grosso que qualquer “quebra da hierarquia ou comportamento subversivo às instituições democráticas” durante o dia sete de setembro gerará “consequências graves e imediatas”.


 
Na data, em que se comemora a Independência do Brasil, estão programadas manifestações favoráveis e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). “Determino que a presente admoestação seja devidamente replicada aos militares do Estado de Mato Grosso”, salientou Faleiros ao Coronel Assis, comandante geral da PM-MT.

 

 

 

Fonte: Redação/Capital Notícia | Foto: Reprodução/Capital Notícias