Ministério Público pede internação de adolescente que atirou em Isabele

O Ministério Público Estadual (MPE), por meio da Promotoria de Infância e Juventude de Cuiabá, ingressou com um pedido de internação da adolescente de 15 anos responsável pelo tiro que matou Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, em julho deste ano. O pedido do MPE segue de acordo com o resultado do inquérito policial que apontou que o tiro disparado pela adolescente foi intencional. A decisão final é do Poder Judiciário, que recebe a ação e decide se acatará ou não.
A representação do pedido, por ato infracional análogo a homicídio culposo, foi protocolada na quarta-feira (09) e, se acatada, a jovem pode ficar até três anos internada no Complexo de Atendimento Socioeducativo de Cuiabá (Case), unidade do complexo Pomeri, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Na quarta-feira da semana passada (02) foi divulgado o resultado da investigação do caso, presidida pelos delegados Wagner Bassi, da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), e Francisco Kunze, da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica). O documento reuniu todas as informações apuradas pela investigação desde a noite em que ocorreu o crime, no dia 12 de julho, no condomínio Alphaville.
Segundo o documento, o disparo ocorreu a 1,44 metro de altura e a 20-30 centímetros do rosto da vítima, com acionamento do gatilho pela adolescente. As jovens permaneceram o total de 1 minuto e 18 segundos juntas, tempo em que ocorreu o tiro. Os resultados das perícias e reconstituições apontaram divergências com a versão apresentada pela adolescente, colaborando com o indiciamento de homicídio doloso, também pelo fato da jovem saber manusear uma arma. Ela é atiradora esportiva.
Entenda o caso
Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morreu após receber um tiro no rosto na noite do dia 12 de julho, no condomínio Alphaville, em Cuiabá. A versão inicial seria de que o tiro foi disparado de forma acidental, o que foi desmentido durante as investigações do caso que duraram cerca de 50 dias.
Além desse caso, outros inquéritos correm paralelamente com quatro pessoas, como o indiciamento do pai da adolescente Marcelo Cestari, de 46 anos. O empresário responde por porte ilegal de arma de fogo por possuir em sua residência armamentos que não estavam registrados. Cestari também foi indiciado por homicídio culposo, por agir com negligência com as armas dentro de sua residência, incluindo deixar sob posse da filha a arma que causou a morte de Isabele. Os outros dois indiciamentos são por fraude processual e pelo crime de entregar arma à adolescente, este previsto no Artigo 16, da Lei 10.826, cuja pena é de reclusão de três a seis anos e multa.
O namorado da adolescente, de 16 anos, que teria levado duas armas para a residência da família Cestari também foi indiciado. O jovem responderá por ato infracional análogo a porte ilegal de arma de fogo. Foi ele quem levou a arma, modelo Imbel 380, que ocasionou a morte de Isabele.
O pai desse adolescente foi indiciado por omissão na cautela na guarda da arma de fogo. Mesmo indiciamento apontado para a mãe da jovem que efetuou o disparo.
Autor: Hallef Oliveira | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Reprodução
