MPE denuncia três por desvios de R$ 3,3 milhões no MT Saúde e suspeita de ‘esquema’

O Ministério Público ofereceu nesta segunda-feira, 1, mais uma denúncia contra o ex-presidente do MT Saúde, Yuri Alexey Bastos Jorge. Também foram denunciados o contador Hilton Paes de Barros, e o administrador de empresas, William I Wei Tsui. Eles são acusados de terem desviados do instituto R$ 3,3 milhões, segundo a 14ª Promotoria Criminal Especializada na Defesa da Administração Pública e Ordem Tributária. A apuração foi realizada em conjunto com o Núcleo de Defesa do Patrimônio Público do MPE, Auditoria Geral do Estado e Delegacia Fazendária.
Em janeiro, a Justiça condenou Yuri por atos de improbidade administrativa. O juiz Alex Nunes de Figueiredo, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Ação Popular de Cuiabá, acatou parcialmente a denuncia em que Bastos Jorge foi acusado de promover a contratação direta de pessoal, remunerado por Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), apenas com o desconto do ISSQN, e ainda a contratação de serviços de advocacia, por meio de licitação, que eram desnecessários diante da pouca demanda. Yuri teve seus direitos políticos cassados por três anos.
Essa nova denuncia destaca que, em 2005, Bastos Jorge promoveu contratação direta, sem o devido processo licitatório, da empresa Connectmed (CRC) Consultoria, Administração e Tecnologia em Saúde para implantação e administração do plano de Saúde. Na época, os serviços do MT Saúde eram realizados pelo Serviço Social da Indústria (SESI), vencedor da concorrência pública realizada em 2003, que chegou a ficar 22 meses recebendo repasses atrasados.
De acordo com o MPE, quando a concorrência foi realizada, a empresa Connectmed apresentou preço mais alto que o SESI, razão pela qual foi a segunda classificada no certame. Após os constantes atrasos nos pagamentos, o SESI acabou requerendo a rescisão contratual e a segunda colocada foi contratada imediatamente pela presidência do MT Saúde.
“A contratação da Connectmed, na condição de segunda colocada, é fruto de fraude, pois nos termos da legislação vigente, ocorrendo rescisão contratual, futura contratação só pode ser realizada após novo processo licitatório”, afirmou a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, em um trecho da denúncia.
Além das irregularidades relacionadas à contratação, o MPE também apontou fraudes na celebração de termo aditivo que simulou a contratação de novos serviços. A empresa Connectmed realizou a subcontratação da empresa VNC Prestadoras de Serviços, constituída e, na época, administrada por Hilton Paes de Barros e Yuri Alexey Vieira Bastos Jorge para executar os serviços previstos no Termo Aditivo.
“A apuração demonstrou que a empresa VNC Prestadora de Serviços foi constituída com o único propósito de capitalizar o desvio da receita pública e, portanto, que a sua contratação pela Connectmed foi ajustada com a finalidade de promover a transferência da receita pública para Yuri e Hilton Paes”, diz a denúncia.
O MPE argumenta que os ajustes foram realizados pelo ex-presidente do MT Saúde de forma a garantir que os desvios da receita pública continuassem ocorrendo, mesmo após ele deixar a presidência do órgão.
As investigações mostraram que dois meses após a celebração do contrato, sob a justificativa de desenvolvimento de novos serviços, foi firmado o primeiro termo aditivo, alterando a cláusula que se referia ao preço e condições de pagamentos. Além de contestar a existência dos novos serviços, o MPE também apresenta irregularidades na constituição e funcionamento da empresa subcontratada, a VNC Prestadora de Serviços.
“A empresa VNC Prestadora de Serviços foi contratada pela Connectmed antes mesmo de sua existência formal. O requerimento de constituição da referida empresa foi elaborado em 08/02/2006 e a respectiva inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica ocorreu em 10/02/2006, todavia o contrato entre a VNC e a empresa Connectmed foi datada de 02/02/2006, ou seja, oito dias antes da sua formal constituição”, diz a denúncia.
O MPE ressalta, ainda, que a VNC foi desativada após a rescisão contratual com a Connectmed, evidenciando, mais uma vez que a aludida subcontratação servia para desvio de recurso público.
Consta na denúncia, que o 1º Termo Aditivo celebrado entre o MT- Saúde e a Connectmed previa o pagamento mensal de R$ 60 mil. Ttodavia a contratada pagava para a subcontratada – VNC o valor de R$ 68 mil. Ou seja, a remuneração era feita em valor superior ao recebido, subvertendo a lógica empresarial/comercial, o que, segundo o MPE, evidencia que o termo aditivo firmado se prestava ao desvio de receita.
Na denúncia, também foi anexada cópia de um vídeo contendo gravação exibida por um veículo de comunicação da Capital, na qual Yuri Bastos aparece recebendo vários maços de de dinheiro. As imagens foram captadas pelo circuito interno de TV instalado no escritório de contabilidade Contasse, de propriedade do denunciado Hilton Paes de Barros.
“Analisando a relação dos pagamentos realizados à empresa Connectmed – CRC pelo MT Saúde, obtida junto ao Fiplan, verifica que os pagamentos relativos ao primeiro termo aditivo ao contrato 019/2005 foram realizados de março/2006 a setembro/2010, coincidentemente, foi suspenso no mesmo mês que foi divulgada a notícia do desvio de verba por parte de Yuri Bastos”, concluiu o MPE.
Além de requerer a condenação dos acusados pela prática dos crimes de fraude em licitação e peculato, o MPE pediu o ressarcimento integral dos prejuízos causados aos cofres públicos.
Fonte: Redação / 24 Horas News | Foto: Arquivo | Cidade: Mato Grosso
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