MT é segundo estado que mais corta madeira da Amazônia, aponta Inpe

Mato Grosso foi o segundo a registrar maior corte seletivo de madeira na Amazônia de 1º de agosto a 13 de novembro. Segundo o sistema de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal, DETER, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), o estado ficou atrás apenas do Pará. A detecção é feita com base em imagens de satélite.

 

De acordo com o DETER, dos 2.133 km² de corte seletivo na Amazônia desde agosto, a maior parte foi no Pará (907 km²), seguido de Mato Grosso (765 km²) e do Amazonas (276 km²).

 

O total de 2.133 km² é o equivalente à área do Município de São Paulo multiplicada por 1,4. Esse corte seletivo na Amazônia em pouco mais de um trimestre já é maior do que em cada um dos três ciclos anteriores de monitoramento do Inpe, que vão de agosto a julho (2016-2017, 2017-2018 e 2018-2019).

 

Os dados de corte seletivo se referem ao primeiro movimento de degradação da floresta, quando árvores mais nobres, como ipê e jatobá, são retiradas para fins madeireiros. É a etapa inicial de um processo que vai rareando a floresta até o ponto em que ela é queimada ou cortada totalmente – o chamado corte raso – para a colocação posterior de pastagem, por exemplo.

 

O balanço oficial de desmate do Inpe se refere só ao corte raso e não engloba o corte seletivo, que integra outro monitoramento do Inpe. Este mês, o Inpe mostrou alta de 29,5% do desmate da Amazônia. Esse balanço, portanto, não inclui essas perdas esparsas de árvores dentro da mata.

 

No começo do mês de novembro, o Governo de Mato Grosso conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa (ALMT) um Projeto de Lei que ampliou em mais de quatro vezes o limite de exploração de madeira na Amazônia. A alteração no Código Florestal do Estado permite agora que os donos de terra na região derrubem até 49.500 m³ de madeira, sem necessidade de reflorestamento. Antes, a quantidade permitida era de 12.000 m³. A modificação era um pedido do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).

 

Exploração de madeira in natura

Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que Jair Bolsonaro estuda liberar a exportação de madeira in natura – hoje essa venda é ilegal. A madeira nativa explorada legalmente só pode ser exportada após passar por algum processamento, o que agrega valor ao produto exportado e oferece proteção extra à floresta, uma vez que cria mais etapas passíveis de fiscalização.

 

Fonte: Redação / Estadão Conteúdo | Foto: Reprodução