MT pode reduzir plantio de algodão em 20% devido à pandemia, avalia produtor

A colheita de algodão no Estado já está avança em 30% da área plantada e a produtividade chega a 300 arrobas por hectare.  É o clima estável e a boa produtividade que têm garantido aos produtores de algodão do Estado a conquista de mais espaço e confiabilidade no mercado internacional.

 

Segundo a Associação Brasileira de Produtores  de Algodão (Abrapa), o país figura entre os 5 cinco maiores produtores mundiais da pluma, ao lado de países como China, Índia, EUA e Paquistão. Mato Grosso se destaca pela qualidade e alta produtividade, sendo responsável por 70% do que é colhido no Brasil.

 

Apesar disso, as dificuldades enfrentadas diante da queda de demanda gerada pela pandemia da Covid-19 devem impactar o setor, na avaliação do produtor Alessandro Polato, um dos responsáveis pela produção de 11.200 ha de algodão na safra 19/20 na região de Primavera do Leste (237 km de Cuiabá).

 

Segundo Polato, que já esteve à frente da Unicotton, um dos destaques do Estado é o cultivo de mais de 90% de sua área sem precisar de irrigação, o que pode ser considerado como “o mais sustentável do mundo em relação ao consumo de água”.

 

Em entrevista, o produtor fala sobre o histórico e os fatores que contribuíram para a conquista do produtor mato-grossense no cenário internacional, avalia o mercado atual, no contexto da pandemia, e prevê impactos como a redução de 20% da área plantada para a próxima safra.

 

Confira a íntegra da entrevista

Como está o andamento da safra de algodão? A produtividade era a esperada?

O clima tem favorecido o andamento da colheita no Estado. Mato Grosso se aproxima dos 30% da área colhida. A produtividade está bem alinhada com anos anteriores, entre 270 e 300 arrobas por hectares. A qualidade apesar de estarmos ainda no início tem se mostrado muito boa.

 

Em 2019, MT bateu seu recorde de produção, acredita que é uma tendência de crescimento para os próximos anos?

Vinhamos em uma constante de crescimento de área nos últimos cinco anos. Depois do início da guerra comercial entre EUA e China no final de 2018 o Brasil se beneficiou obtendo a China como principal destino da pluma. Com o andamento da fase 1 da negociação no início de 2020 os EUA voltaram a retomar o mercado chinês com força. Mas o fator mais preocupante para o algodão não só no Mato Grosso mas em todo o mundo é a falta de demanda gerada pela crise da Covid-19. Fator que reduziu para menos de 15% a demanda e o processamento da fibra na Ásia.

 

Tem perspectivas do Estado aumentar a área de cultivo na próxima safra? Em quanto?

Esse casamento de guerra comercial e pandemia de Covid-19 creio que barrará o crescimento da área plantada em Mato Grosso em um futuro médio. Creio que a área no Estado deva diminuir ao redor de 20%.

 

Nos últimos 5 anos o país tem se destacado entre os 5 maiores produtores, como vê a participação de MT nesse desempenho?

Hoje o Brasil é o quarto maior produtor mundial da fibra – atrás de Índia, China e Estados Unidos. O Brasil carrega o título de segundo maior exportador mundial – atrás dos Estados Unidos. Mato Grosso é responsável por 70% da safra brasileira. A estabilidade climática e a possibilidade de cultivo da pluma em segunda safra é o que permite o Estado manter esta elevada área. O Estado cultiva mais de 90% de sua área sem necessidade de irrigação, esta prática eleva o algodão mato-grossense como o mais sustentável do mundo em relação ao consumo de água.

 

Quanto à comercialização, quais os maiores desafios para o setor?

O grande desafio será semear a safra 2020-2021 com preços menores que os custos de produção.  O basis do algodão brasileiro foi o que mais sofreu este ano, precisamos que demanda volte a níveis pré-pandemia e que as fiações na Ásia retomem a produção. Outro grande desafio será exportar a grande safra que se inicia, o custo de logística ainda é muito alto. É mais caro levar um fardo de algodão até o porto de Santos do que levar o mesmo fardo de Santos até a China.

 

Alessandro Polato, 45, é ex-presidente da Cooperativa UNICOTTON e pertence a um grupo familiar que cultivou 11.200 há. de algodão na safra 19/20 na região de Primavera do Leste.

 

 

Autor: Andhressa Barboza | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução