MT reduz idade do boi em abate para reduzir emissão de gás metano

Os pecuaristas de Mato Grosso reduziram em mais de 10% a emissão de gás metano, considerado o segundo maior contribuinte para o aquecimento do planeta, por bovino abatido na comparação entre 2011 e 2021. De acordo com o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), isso é resultado da pressão ambiental exercida sobre o Brasil por outros países.
O principal motivo dessa redução, de 135 kg de metano para 121 kg por animal, é o abate de bovinos cada vez mais novos. Os dados revelados pelo Imac, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (9), mostram que 5% dos animais abatidos em 2011 tinham menos de 24 meses, 49% tinham entre 24 e 36 meses e 46% tinham mais de 36 meses. Em 2021, esse perfil mudou para 37% dos animais abatidos com menos de 24 meses, 42% com idade entre 24 e 36 meses e 22% com mais de 36 meses.
Considerando que cada animal produz mais de 4 quilos de metano por mês, a emissão também reduziu com o abate cada vez mais precoce.
“Nesse momento, todas as atenções se voltam para o Brasil, onde a gente pode produzir muito mais, onde temos biodiversidade. Vivemos uma guerra de informações na COP (Conferência do Clima), a gente vivenciou muito isso”, disse o presidente do Imac, Caio Penido, durante apresentação dos dados. Ele ainda ‘passou a fatura’ para os países do hemisfério Norte.
De acordo com Penido, os representantes da carne mato-grossense sempre se deparam com três questões: o desmatamento, rastreabilidade do produto e emissões de gases. Por isso, o Imac decidiu focar sua atenção em responder essas dúvidas, além de oferecer ferramentas de rastreabilidade, para promover a carne mato-grossense.
O Instituto também está trabalhando para recuperar áreas degradadas para serem novamente utilizadas como pastagem e apontou o aumento significativo na produtividade, saindo de 15 quilos por hectare de pastagem para mais de 70 quilos na comparação entre 1997 e 2021. Além disso, Mato Grosso e Brasil contam com mais de 65% do seu território preservado.
“A Europa é rica economicamente e ambientalmente fraca. Resolveu os problemas sociais com a riqueza, mas adquirida de maneira questionável sob o novo paradigma global, com a industrialização, revolução industrial, exportando esse modelo de desenvolvimento insustentável para o resto do mundo, que comprometeu o aquecimento do planeta”, disparou.
Ainda de acordo com o presidente do Imac, os pecuaristas veem as críticas como um motor para incentivar a criação mais sustentável, utilizando menos pastagem e implementando tecnologias para garantir mais produtividade e qualidade ao produto final.
Penido aponta que a pressão sobre o país existe porque o mundo precisará aumentar a produção de alimentos em 70% até 2050. Neste cenário, o Brasil tem papel preponderante, por reunir todas as potencialidades para expandir a produção.
“O Brasil é onde mais pode aumentar a produção de alimentos, exatamente porque temos essas áreas degradadas, temos áreas abertas em estado de degradação, baixa produtividade. Eles olham para o Brasil, para Mato Grosso, e falam: 'Não podemos perder essa floresta, porque é essencial para o equilíbrio mundial’”, comenta.
‘SANGUE-FRIO’ DIANTE DOS ATAQUES
Caio Penido revelou que precisou manter o ‘sangue-frio’ diante dos ataques feitos ao agronegócio brasileiro durante a Conferência do Clima, realizada em Glasgow, na Escócia, no final do ano passado. Ele avalia que esses ataques são feitos, principalmente, porque esses países estão ‘assustados’ com a necessidade de produzir mais alimentos e eles não terem mais como expandir.
Pelo contrário, para reduzir a emissão de gás metano, a única solução para os países do hemisfério Norte é reduzir o rebanho. Segundo Penido, alguns países da Europa têm leis que restringem os pecuaristas de acordo com a capacidade para ‘esparramar’ o esterco nos pastos após o período da neve.
“Nós temos o que ninguém tem. Por isso, a atenção do mundo se volta para o Brasil. Temos que ter sangue-frio. Na COP, aprendemos que temos que ter diplomacia climática para entender que eles estão acusando, nos atacando, porque estão assustados. O Brasil é um país continental, em condições de auxiliar nessas demandas”, disse.
Questionado sobre a contribuição desses países para aumentar a produção de alimentos e preservar o meio ambiente, Penido disse que essa é uma ‘pergunta que não quer calar’. Segundo ele, muitos países tinham uma visão ‘invertida’ sobre o Brasil, acreditando que os produtores usavam 60% do bioma para produção e menos da metade seriam preservados.
“Essa era uma verdade secreta, que ninguém falava o quanto do Brasil estava destinado à conservação. Hoje, quem tiver olhos que veja. Nós mostramos pesquisa da Embrapa, biomas, observatórios do clima. Tanto ONGs, governo, Nasa, todo mundo chegando no número de 66% do território brasileiro destinado à vegetação nativa”, concluiu.
Autor: Felipe Leonel | Fonte: Redação/Estadão Mato Grosso | Foto: Sérgio Medeiros
