Mudanças climáticas devem refletir em período de chuva de MT

Nesta segunda-feira (23), às 4h50 teve início a florida estação primavera, que se estende até 22 de dezembro. Após quase cinco meses sem chuvas em Cuiabá, no final de semana os dias ficaram nublados e alguns bairros já puderam contar com um pequeno alívio. A chegada da precipitação, entretanto, não está diretamente ligada à mudança na estação e a temporada de chuva pode ser afetada este ano.
O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), Luiz Souza, esclarece que as chuvas, que são esperadas ao longo desta semana, na quarta (25) e na quinta-feira (26) na capital, estão associadas a ventos favoráveis para a região. Ainda segundo as previsões do Inpe, as regiões próximas à Primavera do Leste (230 km de Cuiabá) serão as primeiras a contarem com precipitação esta semana.
Espera-se que agora, passada a longa estiagem, haja mais condições de chuva, com mudança nos padrões de vento vindos da Argentina. O meteorologista alerta, porém, que os episódios não significam propriamente o início do período chuvoso. Apesar de ser esperada para meados de outubro, não há certezas de quando a temporada de chuvas deve começar e se ocorrerá como anteriormente, graças a instabilidade climática observada em todo o mundo e que tem mudado algumas características climáticas das regiões do Brasil.
“As condições climáticas têm mudado bastante de um ano para o outro. No Sudeste, por exemplo, falava-se bastante nas 'chuvas de março'. Entretanto, este ano, a capital de São Paulo teve pouca chuva neste mês. No Sul, esse ano, o frio chegou um pouco mais tarde e as chuvas foram mais tarde também. Hoje, temos um quadro parecido no Centro-Oeste. É possível que haja novamente mais irregularidades nas chuvas e que não chova tanto quanto esperado”, pontuou o especialista.
El Niño
Na entrevista especial do PNB Online desta semana, a Secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, atribui o aumento do número de focos de incêndio no estado de Mato Grosso ao fenômeno atmosférico El Niño. Segundo o meteorologista do Inpe, porém, a associação é equivocada. O fenômeno exerce influência mais considerável nas regiões Norte, Nordeste e Sul. As regiões Centro-Oeste e Sudeste sentem bem menos os seus efeitos. O fenômeno seria, portanto, pouco capaz de dobrar o número de casos de incêndios florestais de 2018 a 2019 em Mato Grosso.
Autor: Safira Campos | Fonte: Redação / PNB Online | Foto: Reprodução / Ilustrativa
