Mulheres se organizam para boicotar contratação de goleiro em time de MT

A contratação do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, o Bruno, para atuar no Clube Esportivo Operário de Várzea Grande, tem repercutido de forma negativa, em Mato Grosso. Com a decisão, dezenas de cuiabanos e várzea-grandenses decidiram participar de um grupo de WhatsApp chamado “Goleiro Bruno #Não”, criado com o intuito de promover atos de repúdio para impedir que o ex-goleiro do Flamengo jogue pelo time.

 

O grupo surgiu no último domingo (19). Cerca de 100 pessoas participam do coletivo. Além disso, está marcado para esta terça-feira (21), um ato de repúdio, às 19 horas, na Arena Pantanal, em Cuiabá. O Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso (CEDM/MT) também divulgou uma nota de repúdio contra a contratação.

 

Bruno foi condenado a mais de 20 anos de prisão por participação na morte da modelo Eliza Samudio, mãe de um filho dele. O Corpo dela até hoje não foi encontrado. A entidade espera que a agremiação repense a decisão de integrá-lo ao elenco em respeito às mulheres. Em nota, o CEDM ressaltou que ele, à época do crime jogador do Clube de Regatas do Flamengo, foi condenado pelos crimes de homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado.

 

"Trata-se de alguém que demonstrou profundo ódio e total desrespeito às mulheres ao tratar dessa forma cruel e bárbara aquela que seria a mãe do seu filho", afirma o conselho na nota. A entidade destacou ainda que o futebol cria ídolos entre crianças e jovens, em processo de formação, e entende que tratar alguém capaz de cometer um crime tão bárbaro é um fato bastante preocupante. "Mesmo tendo cumprido parte da pena pela morte de Eliza Samudio, e tendo obtido na Justiça a progressão de regime para o semiaberto, a gravidade dos crimes cometidos por Bruno Fernandes impõe que ele seja tratado com mais rigor e não como se fosse um ídolo que merece ser disputado por clubes de futebol".

 

O Conselho lembrou ainda que no mês passado Cuiabá foi uma das cidades a receber a campanha do “Laço Branco”, formada por homens que lutam pelo fim da violência contra a mulher e que menos de 30 dias após o lançamento da ação o Operário vai na contramão da campanha, tentando a contratação de alguém condenado pela Justiça por ter matado uma mulher.

 

Para o conselho, a contratação passa uma mensagem subliminar de que machismo e misoginia são práticas toleradas. "Isto, especialmente, no nosso país e estado onde os índices de mulheres que sofrem violência e morrem todos os dias por esse motivo estão entre os mais altos do mundo”.

 

JUSTIÇA – Além de autorizar a transferência do cumprimento de execução penal do goleiro Bruno, o magistrado Tarciso Moreira de Souza, da Vara de Execução em Meio Aberto e Medidas Alternativas da Comarca de Varginha, em Minas Gerais, também acatou pedido de proposta de emprego feito pelo Clube Esportivo Operário. Conforme informações divulgadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o pedido do Operário foi assinado pelo presidente Eder Roberto Taques. Assim, a decisão transfere o processo de execução penal para Mato Grosso. As condições para o cumprimento da pena serão estabelecidas pelo novo juízo, respeitando o regime semiaberto.

 

O dirigente do Operário Várzea-grandense, André Xela rebateu as críticas sobre a possível contratação do goleiro Bruno Fernandes para a temporada 2020. “Nós estamos pensando no material humano. O jogador de futebol Bruno é quem o Operário está contratando. Questão do passado dele é a Justiça. Ele pagou e parte da pena e progrediu de regime e precisa trabalhar”, afirmou.

 

SICREDI – Membros da cooperativa de Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) se reuniram nesta segunda-feira (20) para discutir a provável contratação do goleiro Bruno pelo Clube Esportivo Operário Varzea-grandense. A empresa é uma das principais patrocinadoras do Campeonato Mato-grossense 2020, ao lado da Lojas Martinello. “O patrocínio do Sicredi é com a Federação Mato-Grossense para o Campeonato Estadual de Futebol 2020”, diz nota da cooperativa. Segundo a assessoria, o contrato do Sicredi com a FMF está mantido. A única recomendação é de que, caso confirmada a contratação do goleiro, a marca da cooperativa não seja estampada nos uniformes do Operário.

 

Sobre os valores a serem repassados ao clube, não haverá nenhuma restrição. Isso porque, a divisão do "bolo" do patrocínio cabe a FMF. Os recursos são utilizados para gastos com viagens e hospedagem dos clubes, bem como incentivo às categorias de base das equipes.

Autor: Joanice de Deus | Fonte: Redação/Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução

  • Fonte: Redação/Diário de Cuiabá
  • Autor: Joanice de Deus
  • Foto: Reprodução