“Não me sinto amedrontada, tenho uma escolta capaz”, diz juíza

A juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, garantiu que não se sente amedrontada pelo suposto plano do ex-vereador João Emanuel Moreira Lima para matá-la.
O empresário Walter Dias Magalhães, presidente do Gupo Soy e alvo da Operação Castelo de Areia, contou em depoimento que a intenção do político em assassinar a magistrada era motivada pelo fato de ela estar, em tese, "prejudicando seu negócio”. Segundo o depoimento, o ex-vereador iria contar com a ajuda de integrantes do Comando Vermelho.
A magistrada, por sua vez, afirmou estar acostumada com esse tipo de ameaça e diz não sentir medo.
“Não, não me sinto amedrontada. Tenho uma escolta muito bem capaz. É comum um juiz receber esse tipo de ameaça. Na carreira da gente, isso acontece em algumas oportunidades ”, disse Selma Arruda.
A juíza ainda pediu cautela antes de “julgar” o ex-vereador sobre a suposta ameaça, uma vez que isso apenas foi relatado no depoimento de um dos envolvidos no esquema.
A princípio para mim, isso é apenas uma declaração de um comparsa dele. Ainda não tem nenhuma confirmação de que seja verdadeira
Investigação paralela
A juíza revelou que o Ministério Público Estadual (MPE) pode abrir uma investigação paralela para descobrir se João Emanuel faz parte do Comando Vermelho.
“Esse fato é um fato grave. Se o que o comparsa declarou for mesmo verdade, a gente conclui que ele (João Emanuel) está envolvido de alguma forma com uma organização criminosa perigosíssima. Por isso é obvio que o Ministério Público deve abrir uma investigação para ver se não é o caso de indiciá-lo por compor essa organização", declarou.
Revogação de prisão domiciliar
Selma Arruda ainda disse que pode revogar, nesta semana, a prisão domiciliar de João Emanuel, na operação Castelo de Areia.
A magistrada determinou, na última terça-feira (6), que o ex-vereador se submetesse a uma perícia para saber se ele tem condição de ser recolhido ao Centro de Custódia da Capital.
“Acredito que a perícia fique pronta amanhã (9) e aí eu já deve tomar uma decisão. Mas antes de eu decidir se ele volta para o CCC, eu resolvi fazer essa análise clínica para ver se ele tem condições de ser recolhido. Até por conta dessas declarações do Walter”, pontuou.
A ameaça
No depoimento dado à Polícia Civil, Walter afirmou que, por várias vezes, o ex-vereador afirmou que tentaria matar a magistrada e que inclusive falaria com o detento "Sandro Louco", líder do Comando Vermelho na Capital, para concretizar seu plano.
Walter ainda afirmou que João Emanuel disse a ele que a magistrada já havia recebido ajuda de seu pai – o juiz aposentado Irênio Lima, também alvo das investigações – e que ela não poderia “estar agindo de tal forma a prejudicar os negócios desempenhados por ele”.
O suspeito ainda relatou saber que João Emanuel tinha proximidade com a organização criminosa e que, após ser preso no dia 29 de agosto, recebeu um recado do Comando Vermelho, escrito “Salve”.
O empresário entendeu aquilo como um recado, ou seja, que não era para ele falar nada no interrogatório que pudesse prejudicar o ex-vereador.
"Castelo de Areia"
A operação Castelo de Areia foi deflagrada no dia 26 de agosto pela Polícia Civil, que apura crimes de estelionato supostamente praticados pela empresa Grupo Soy em todo o Estado. O prejuízo ultrapassa R$ 50 milhões.
Entre os alvos está o ex-vereador João Emanuel, apontado como líder do esquema.
Foram presos também pela suspeita de participação no esquema: Shirlei Aparecida Matsuoka, sócia majoritária da empresa; Walter Dias Magalhães Júnior (marido de Shirlei), presidente do Grupo Soy; Evandro Goulart, diretor financeiro do grupo; e o empresário Marcelo de Melo Costa, suposto "lobista" do esquema.
As vítimas eram pessoas com poder aquisitivo alto, como produtores rurais, empreiteiros e empresários.
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Autor: Jad Laranjeira / Thaíza Assunção | Fonte: Redação / Mídia News | Foto: Marcus Mesquita
