No Pascoal Ramos, pistoleiro de Arcanjo ameaça matar agentes prisionais

O ex-policial já foi condenado a mais de 80 anos pela prática de homicídios. Entre os crimes, está a participação do assassinato do proprietário do jornal Folha do Estado, Sávio Brandão, em 2002.

 

O caso ocorreu na noite da última quinta-feira (22), quando ele chegou na unidade prisional.

 

O ex-soldado da Polícia Militar, Célio Alves de Souza, de 42 anos, preso pela morte do jornalista Sávio Brandão e outros homicídios, retornou à Penitenciária Central do Estado (PCE), no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, causando muita confusão.

 

Logo que chegou, na noite de quinta-feira (22), transferido de um presídio de segurança máxima de Rondônia, Célio ameaçou de morte agentes prisionais PCE.

 

O criminoso se recusou a levantar os braços para ser revistado e teve que ser contido à força por uma equipe do Serviço de Operações Especiais (SOE).

 

Um agente penitenciário relatou, que o fato ocorreu logo após o preso chegar à penitenciária. Célio teria iniciado uma discussão com um carcereiro e acabou ameaçando os demais carceireiros, que participavam da revista minuciosa. Durante a confusão, o servidor acionou a equipe do SOE para contê-lo.

 

O agente explicou que para deter Célio, a equipe do SOE usou um spray de pimenta. O detento foi rendido, mas teve um corte na cabeça. Por isso, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer um exame de corpo delito e depois seguiu para a delegacia da Polícia Civil, para registrar a ocorrência.  Por fim, o preso retornou ao presídio onde está recluso em uma cela sozinho, no Raio 5 da PCE. O bloco é para detentos de alta periculosidade.

 

O diretor da PCE, Roberval Barros, disse que abriu um procedimento administrativo para apurar o mau comportamento do detento. Célio pode perder o direto a visitas e ficar recluso na cela por mais tempo.

 

PISTOLEIRO DE ARCANJO

 

Em 2012, Célio foi transferido da PCE para um presídio federal de Campo Grande. Após uma determinação judicial o detento foi levado para a penitenciária de Rondônia.

 

O ex-policial já foi condenado a mais de 80 anos pela prática de homicídios. Entre os crimes, está a participação do assassinato do proprietário do jornal Folha do Estado, Sávio Brandão, em 2002.  O ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro (comendador) foi apontado pela Justiça como o suposto mandante do homicídio.

 

Em Mato Grosso, Célio era conhecido como ‘pistoleiro’ de Arcanjo. Entre os crimes que foi condenado está o assassinato do sargento da PM, José Jesus de Freitas e dos seguranças dele, Fernandes Leite das Neves e Nailton Benedito de Souza. Além da tentativa de homicídio contra a esposa do policial, Cilene Neiva da Cruz. Os três homicídios aconteceram também em 2002, no bairro Jardim Cuiabá, região nobre da capital.

 

ARCANJO

 

Atualmente o ex-bicheiro está preso em uma unidade prisional de segurança máxima de Porto Velho (RO). Em janeiro do ano passado a Justiça de Rondônia negou a permanência dele no Estado, porém o Superior Tribunal Federal (STF) impediu a transferência, aceitando um pedido do juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidelis. O magistrado alegou que a PCE não teria estrutura e nem segurança para manter o criminoso.

 

Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, Arcanjo é apontado como o ex-chefe do crime organizado de Mato Grosso. O réu possui participações em várias execuções na capital. Além de duas tentativas de homicídio ocorridas entre os anos de 2000 e 2002.

 

Em outubro de 2013, ele foi considerado, em um júri popular, o mandante do assassinato do jornalista Sávio Brandão, na época dono do Jornal Folha do Estado. Na ocasião o bicheiro foi condenado a 19 anos de prisão em regime fechado. Já em 2003, Arcanjo ainda foi sentenciado a 37 anos de prisão, pelos crimes de formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. 

 

Autor: João Ribeiro | Fonte: Redação / Repórter MT | Foto: Reprodução | Cidade: Cuiabá