Novos frigoríficos brasileiros são habilitados para exportar carne ao mercado asiático

Ao todo, 10 estados brasileiros passaram a contar com novos frigoríficos habilitados a exportar carne e miúdos bovinos para a Indonésia. A autorização amplia de 52 para 73 o número de estabelecimentos brasileiros aptos a atender o mercado asiático e ocorre em um momento de busca por novos destinos para a produção nacional.
Com o acordo, 21 unidades foram aprovadas após uma auditoria presencial realizada pela autoridade sanitária da Indonésia entre 27 de junho e 5 de julho de 2026. O processo foi articulado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Além de Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país, os novos estabelecimentos estão localizados em Acre, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
A ampliação da lista de frigoríficos habilitados ganha importância diante de um cenário de maior pressão sobre os principais compradores da carne brasileira.
A China, maior mercado do produto nacional, já utilizou 90% da cota de importação sem tarifa adicional, enquanto a União Europeia suspendeu a compra de produtos de origem animal do Brasil.
Indonésia ganha espaço
Com mais de 280 milhões de habitantes, a Indonésia vem aumentando a participação nas exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, o Brasil enviou 31.511 toneladas de carne bovina para o país asiático. No primeiro semestre de 2026, foram mais 17.461 toneladas.
O mercado de miúdos bovinos também apresenta crescimento. Nos seis primeiros meses deste ano, os embarques brasileiros para a Indonésia chegaram a 21.191 toneladas. O país já é o segundo maior destino dos miúdos bovinos brasileiros.
Com a nova habilitação, a cadeia produtiva passa a ter mais frigoríficos autorizados a disputar esse mercado, ampliando a capacidade de exportação e a possibilidade de diversificação dos destinos.
China perto do limite da cota
A abertura de espaço em outros mercados ocorre em meio à redução das exportações brasileiras para a China. Em agosto, o Brasil exportou 27,1% menos carne bovina em volume na comparação com o mesmo mês de 2025.
A redução ocorreu principalmente pela proximidade do limite da cota chinesa para a entrada de carne bovina brasileira sem a cobrança de uma tarifa adicional de 55%.
A China estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas. Em 10 de agosto, o Ministério do Comércio chinês informou ao Brasil que 90% desse volume já havia sido utilizado.
Na prática, a restrição aumenta a necessidade de encontrar alternativas para absorver a produção brasileira, especialmente diante da importância da China para o setor.
UE suspende compra de carne brasileira
O cenário também ficou mais desafiador no mercado europeu. Desde esta quinta-feira (3), está em vigor o embargo da União Europeia às importações de produtos de origem animal do Brasil.
A medida suspendeu as compras de carne bovina, carne suína, carne de frango, pescados, mel e ovos pelos 27 países do bloco.
Embora o país asiático ainda não substitua mercados do tamanho de China e União Europeia, a expansão da lista de estabelecimentos autorizados representa mais uma frente para a carne brasileira.
- Fonte: Redação/Primeira Página
- Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil




