O boi é mesmo um vilão do meio ambiente?

O rebanho bovino e a pecuária em si vêm sofrendo uma série de críticas de ecologistas e simpatizantes que alegam que a os ruminantes emitem metano, um gás de efeito estufa que é mais forte que o próprio carbono. Para Xico Graziano, engenheiro agrônomo, doutor em Administração, professor de MBA na FGV e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), no entanto, a pecuária vem evoluindo e se modificando ao longo dos anos e essa questão do metano já está sendo contornada.
“Sabe-se que a quantidade de metano gerada na ruminação depende da dieta do animal e da composição de sua fauna bacteriana. Regra geral, gramíneas mais velhas e fibrosas, densas em carboidratos estruturais, irão gerar maior liberação de metano. Significa que pastos bem manejados, com massa vegetal mais nova, reduzem a emissão de gases. Também dietas animais compostas por alimentos concentrados, derivados de cereais ou silagens, alteram as condições físico-químicas do rúmen e modificam a população microbiana. Nessas condições, há queda na produção de metano”, comenta ele.
Sendo assim, o aumento de produtividade do rebanho, obtido por vários caminhos tecnológicos, influencia decididamente na redução das emissões. “Estima-se que os sistemas de criação modernos, com pastagens melhoradas e suplementação de rações tragam redução de 30% da emissão de metano por quilo de carne produzida”, indica.
“Tudo se modifica rapidamente na pecuária nacional. Exceto a contabilidade de emissões de metano. O padrão do IPCC continua fixado na emissão de 56 quilos de metano/animal/ano, valor determinado no começo do século. É trágico. Desconsidera-se a evolução tecnológica da pecuária”, conclui.
Autor: Leonardo Gottems | Fonte: Redação/AgroLink | Foto: Reprodução
