O que se sabe sobre suspeito de matar a irmã após ser libertado por engano

A delegada Jéssica Assis da Polícia Civil afirmou na quinta-feira (12) que Marcos Pereira Soares, suspeito de estuprar e matar a própria irmã, possui uma ficha corrida como "criminoso sexual em série", em Cuiabá.

 

A fala foi dada durante coletiva de imprensa para esclarecer o crime que chocou a capital.

 

Segundo a delegada, a prisão preventiva foi decretada devido ao risco que o suspeito representa à sociedade.

 

O contexto todo é muito denotativo de uma pessoa que é imparável, que precisa ser detida, ser cerceada e que não tem condição nenhuma de viver em sociedade. É um perfil de quem é um perigo para mulheres, para meninas e para crianças também", afirmou.

 

Veja o que se sabe e o que falta saber sobre o caso

Qual o local do crime?
Ele atuou sozinho?
Como ele atraiu a vítima?
Ele possuía passagem pela polícia?
Ele tentou ocultar o corpo da vítima?
O suspeito admitiu o crime?

 

Qual o local do crime?

Segundo a Polícia Civil, o corpo da adolescente foi encontrado submerso em um córrego aos fundos da casa do suspeito.

 

Como ele atraiu a vítima?

Segundo a Polícia Civil, o marido da vítima prestou depoimento e relatou que a esposa estava na própria residência do casal quando o irmão dela chegou ao local. De acordo com o relato, o homem disse que precisava conversar com a irmã para resolver uma questão relacionada à mãe deles.

 

Ainda segundo o depoimento, a vítima saiu de casa voluntariamente e acompanhou o irmão. Ela foi levada até uma casa no bairro Três Barras, onde acabou sendo morta.

 

Ele possuía passagem pela polícia?

Marcos acumula 15 registros de ocorrências policiais entre 2013 e 2025. Entre os crimes citados estão roubo, tráfico de drogas e ameaça, entre outros. De acordo com a polícia, ele também é apontado como responsável pelo assassinato da própria tia, Débora Pereira, em 2018, e pela morte de um homem em 2020.

 

Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi condenado a 17 anos de prisão, em 2023, pelos crimes de homicídio, furto e ocultação de cadáver.

 

Ele estava preso, mas deixou a cadeia na semana anterior ao crime após um possível erro no cadastro de processos judiciais.

 

Ele tentou ocultar o corpo da vítima?

O corpo da vítima foi encontrado amarrado a uma pedra, em uma tentativa de manter o cadáver dentro de um córrego. Por causa disso, o suspeito também foi autuado pelo crime de ocultação de cadáver, segundo a Polícia Civil.

 

O suspeito admitiu o crime?

Durante o interrogatório, o suspeito negou o crime. Ele afirmou que procurou a irmã apenas para conversar e que os dois teriam ido até uma esquina próxima da casa. Segundo o relato dele, após uma conversa rápida, cada um seguiu seu caminho. O suspeito disse ainda que não sabe o que teria acontecido com a vítima depois disso.

 

Enquanto estava sob custódia da polícia, o suspeito tentou tirar a própria vida mas a tentativa foi percebida por um investigador que estava de plantão e conseguiu impedir o ato.

 

Para a investigação, no entanto, a principal hipótese é de feminicídio motivado por ódio ao gênero. Segundo a delegada, o crime teria sido cometido por desprezo à vítima por ela ser mulher.

 

O que falta saber

Ele atuou sozinho?
Ele chegou a cometer violência sexual ou tortura?
As roupas encontradas na residência eram da vítima?
Porque ele foi solto pela polícia na semana anterior ao crime?
A vítima tinha histórico de violência na família?
Ele cometeu crimes semelhantes com outras pessoas?
Qual a causa da morte?

 

Ele atuou sozinho?

A delegada responsável pelo caso afirmou que, durante o interrogatório, o suspeito negou todos os fatos, mas não conseguiu apresentar um álibi consistente. Segundo a investigação, a principal linha de apuração aponta que ele pode ter agido sozinho no crime.

 

A Polícia Civil também interrogou a então companheira de Marcos, que estava em processo de separação do suspeito. Ela prestou depoimento e colaborou com as investigações, fornecendo acesso a conversas de WhatsApp e permitindo a perícia na residência. Até o momento, a participação dela no crime foi descartada pela polícia.

 

A vítima foi torturada?

Até o momento, o suspeito foi autuado pelos crimes de feminicídio, estupro, ocultação de cadáver e sequestro, segundo a Polícia Civil. A polícia também investiga se houve tortura, já que o corpo da vítima foi encontrado nu, enrolado em um lençol e com sinais de queimaduras e outras lesões.

 

Segundo a delegada Jéssica, o corpo da vítima apresentava sinais severos de violência e crueldade, possivelmente anteriores ao feminicídio.

 

Agora, os investigadores aguardam o resultado da perícia da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para esclarecer as circunstâncias do crime.

 

As roupas encontradas na residência eram da vítima?

Segundo a Polícia Civil, roupas foram encontradas na casa do suspeito, local onde o crime teria sido cometido. Durante o interrogatório, o homem afirmou que não reconhece as peças.

 

Porque ele foi solto pela polícia na semana anterior ao crime?

Marcos havia deixado a prisão na semana passada após um possível erro no cadastro de processos judiciais.

 

Em nota, a Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso informou que instaurou procedimento para apurar as circunstâncias relacionadas a soltura de Marcos Pereira Soares. Segundo a Corregedoria foi identificada possível falha humana na verificação de dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), relacionada à existência de dois Registros Judiciais Individuais (RJI) vinculados ao nome da mesma pessoa.

 

O motivo ainda está sendo investigado.

 

A vítima tinha histórico de violência na família?

Segundo a delegada, a Polícia Civil atua em duas linhas de investigação para entender o histórico da vítima e do suspeito. Os investigadores apuram se há outros casos de violência contra mulheres envolvendo o suspeito dentro do próprio núcleo familiar, já que há indícios de possíveis violações contra outras pessoas próximas.

 

A polícia informou ainda que já está em contato com outros delegados e unidades especializadas para aprofundar as investigações. O hipótese segue em apuração.

 

Ele cometeu crimes semelhantes com outras pessoas?

A Polícia Civil apura um vídeo divulgado por uma empresária que mostra o suspeito tentando entrar no salão de beleza dela. As imagens teriam sido gravadas na terça-feira, um dia antes do crime.

 

Segundo a delegada, a polícia já teve acesso ao material e analisa as imagens como parte das investigações. De acordo com ela, o comportamento do suspeito registrado no vídeo pode indicar características de um possível criminoso sexual em série, hipótese que ainda está sendo investigada.

 

Qual a causa da morte?

A causa da morte ainda esta sendo investigada pela Polícia Civil. Os peritos apuram se ela morreu por asfixia, afogamento ou em consequência das queimaduras encontradas no corpo.

 

Durante a perícia, também foram coletados vestígios que podem ajudar a esclarecer o crime. Entre eles, estão possíveis materiais genéticos encontrados nas unhas do suspeito, que agora passam por análise.

 

De acordo com a polícia, a coleta de vestígios faz parte do procedimento padrão da Delegacia de Homicídios, especialmente em casos de feminicídio, para reunir provas e esclarecer as circunstâncias do crime.

 

 

 

Autor: Fernanda Deamo | Fonte: Redação/G1 MT | Foto: Divulgação

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