Operações Eidolon e Falso Mestre: 7 prisões e bloqueios financeiros contra grupos criminosos

A Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso – Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro –, deflagrou nesta terça-feira (19) duas operações policiais simultâneas: a segunda fase da Operação Eidolon e a Operação Falso Mestre, ambas voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas envolvidas em esquemas de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação documental e crimes patrimoniais de elevada complexidade.
 
OPERAÇÃO EIDOLON – SEGUNDA FASE
A primeira fase da Operação Eidolon revelou a existência de uma associação criminosa estruturada para desviar veículos apreendidos e sob a guarda da administração pública municipal de Sorriso, mediante utilização de documentos falsos, fraudes cartorárias e corrupção de agentes públicos.

 

As investigações apontaram que o grupo criminoso atuava de forma organizada e dividida em funções específicas, envolvendo servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores. O esquema consistia na identificação de veículos com baixa probabilidade de recuperação por seus proprietários, especialmente motocicletas com pendências administrativas, para posterior retirada ilícita dos pátios conveniados mediante utilização de procurações fraudulentas e termos falsificados de liberação.

 

Durante a apuração, foi constatada a participação de integrantes com acesso privilegiado a sistemas públicos, bem como a atuação de indivíduos ligados a cartórios e procedimentos de autenticação documental, possibilitando a inserção de dados falsos, emissão de procurações fraudulentas e regularização ilícita de veículos.


Com o aprofundamento das diligências, a Polícia Civil identificou indícios da prática dos crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e inserção de dados falsos em sistemas de informação.
 

Também foi apurada a atuação central de um guarda municipal apontado como liderança operacional do esquema criminoso, além da participação de um juiz de paz com acesso a procedimentos cartorários utilizados para viabilizar as fraudes investigadas.

 
Nesta segunda fase da operação foram cumpridos:
05 mandados de prisão;
09 mandados de busca e apreensão;
05 ordens de bloqueio de contas bancárias;
medidas de suspensão de registros de pessoas jurídicas;
suspensão do exercício de função pública;
afastamento do sigilo financeiro de oito investigados;
além de diversas outras medidas cautelares deferidas pelo Poder Judiciário.
 

As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Sorriso, com base em representação formulada pela Polícia Civil.
 

O nome “Eidolon”, de origem grega, faz referência à ideia de “reflexo” ou “imagem projetada”, simbolizando a duplicidade e a falsidade utilizadas pelos investigados para ocultar suas práticas criminosas.
 
OPERAÇÃO FALSO MESTRE
A Operação Falso Mestre teve origem a partir da denúncia de uma vítima que relatou ter sido induzida a fornecer documentos pessoais sob o pretexto de matrícula em curso de conclusão do ensino médio na modalidade EJA.
 

Segundo apurado, o investigado, pessoa conhecida da vítima e antigo professor, teria utilizado a relação de confiança construída ao longo dos anos para obter acesso aos documentos pessoais da vítima, os quais posteriormente foram empregados em fraudes bancárias destinadas à obtenção de financiamentos de veículos.
 

No decorrer das investigações, verificou-se que foram realizados financiamentos fraudulentos de veículos junto a instituições financeiras, incluindo um Chevrolet Cobalt e um Jeep Renegade, totalizando dezenas de milhares de reais em contratos bancários firmados sem o consentimento da vítima.


As apurações permitiram identificar o fluxo financeiro do esquema criminoso, os destinatários dos valores obtidos ilicitamente e a atuação coordenada de integrantes responsáveis pela falsificação documental, movimentação financeira e tentativa de regularização fraudulenta dos veículos.
 

Também foram identificados elementos indicando possível participação de pessoas com acesso a cartório da cidade, incluindo um juiz de paz, responsável por procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema.
 

As investigações apontam para a atuação de organização criminosa com ramificações interestaduais e possível caráter transnacional.


Na operação foram cumpridos:
02 mandados de prisão;
07 mandados de busca e apreensão.
 

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e associação criminosa.
 
RESULTADO DAS OPERAÇÕES
Somadas, as operações resultaram no cumprimento de:
 
07 mandados de prisão;
16 mandados de busca e apreensão;
bloqueios judiciais de contas bancárias;
afastamentos de sigilo financeiro;
suspensão de funções públicas;
suspensão de registros empresariais;
além de diversas outras medidas cautelares patrimoniais e investigativas.
 

Destaca-se que um dos alvos investigados era comum às duas operações: um juiz de paz com acesso a procedimentos cartorários da cidade, apontado como possível facilitador das fraudes investigadas.
 

A Polícia Civil ressalta que investigações envolvendo crimes financeiros, lavagem de dinheiro, falsificação documental e organizações criminosas demandam elevado grau de complexidade técnica, integração entre unidades policiais e aprofundado trabalho de inteligência.
 

A Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso reafirma seu compromisso institucional no combate qualificado às organizações criminosas, especialmente por meio da identificação da estrutura financeira dos grupos investigados, rastreamento patrimonial e descapitalização das atividades ilícitas. O Delegado Thiago Meira, responsável pelas investigações, agradece o imprescindível apoio operacional prestado pela Regional de Sinop da Polícia Civil, pela Regional de Nova Mutum da Polícia Civil, pela Polícia Civil de Santa Catarina, especialmente à Delegacia de Polícia da Comarca de Balneário Piçarras, que auxiliou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Falso Mestre, bem como à Polícia Civil do Estado do Amazonas, por intermédio da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações de Manaus, responsável pelo apoio no cumprimento de mandado de prisão na cidade de Autazes/AM, comunidade Novo Céu.
 

O Delegado Thiago Meira também registra agradecimento aos demais policiais lotados na Delegacia de Polícia Civil de Sorriso, bem como ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, cuja atuação integrada e comprometida foi essencial para o avanço das investigações, deferimento das medidas cautelares e efetividade das operações deflagradas.

 

 

 

Fonte: Redação/Assessoria | Foto: Divulgação

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