“Pegamos a dor e transformamos em luta”, diz pai de jovem assassinado durante assalto

“Alguns tentam esquecer a tragédia para tocar a vida. Eu abraço a tragédia que aconteceu com minha família todo dia para tentar mudar as leis do país”. Foi desta forma que o advogado Leonildo Severo resumiu a luta que tem encampado após a morte de seu filho, Eric Severo, em um brutal latrocínio (roubo seguido de morte) no final de 2014. Junto com a esposa, ele tem viajado pelo Brasil para colher assinaturas de apoio a um projeto de lei que endurece as penas contra os crimes de latrocínio.
Esse abaixo assinado será anexado ao Projeto de Lei que já tramita na Câmara, criado pelo major Olímpio Magalhães (PMB-SP), que se sensibilizou com a causa. Pela atual legislação penal, o crime de latrocínio tem pena máxima de 30 anos, o que é considerado insuficiente pelo pai da vítima.
“A pena máxima é de 30 anos, mas se o réu for primário cumpre no máximo 12 anos. Nós queremos alterar para pena máxima de 50 anos e liberdade condicional somente quando atingir 40 anos”, disse.
Nesta semana, o casal Leonildo Severo e Soely Francis Severo, pai e mãe de Eric, estiveram em Cuiabá, coletando assinaturas em dois pontos diferentes da cidade. Conseguiram mais de dez mil. No total, já são mais de 90 mil declarações de apoio à sua causa.
Para Leonildo, o assassinato após o roubo não faz o menor sentido. Um ato considerado brutal e inadmissível pelo advogado, pois os bandidos já tinham o veículo que queriam.
“Eu não sei, procuro todo dia saber, o motivo para uma pessoa tirar a vida de outra. Ainda mais de meu filho, que não fez nada. Os bandidos já estavam em posse do veículo, e no meio do caminho o levaram para o mato e atiraram na cabeça dele. Por isso que eu jamais vou deixar de lutar para que latrocínios possam ter penas mais duras. Não merece ficar livre em tão pouco tempo quem comete esse tipo de ato”, disse o pai de Eric.
Lembrar da tragédia que se abateu sobre sua família deixa o pai triste, a ponto de chorar. Mas Leonildo Severo não se imobiliza diante da dor, pelo contrário, tenta usá-la como combustível em sua busca por punições mais severas contra este tipo de criminoso.
“Não tem como não lembrar. Toda hora, todo dia e sempre vou lembrar de meu filho. Alguns tentam esquecer a tragédia para tocar a vida. Eu abraço a tragédia que aconteceu com minha família todo dia para tentar mudar as leis do país”, disse, completando: “pegar a dor e transformar em luta não é fácil. Mas sei que seremos recompensados por isso. Pedimos ajuda de todos. Eu achei que um crime desse porte nunca ia atingir minha família. Aconteceu ao contrário. Então, agora luto para ajudar o próximo. Pois sabemos que o crime não vai acabar”.
O CRIME
O estudante de medicina, Eric Francio Severo, foi encontrado morto aos 21 anos no dia 28 de dezembro de 2014, em uma região de mata a aproximadamente 10 km de Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá. Ele estava desaparecido desde a madrugada de sábado (27) após sair de um bar, na cidade de Sinop, onde passava férias na casa da família.
Ele estava em uma caminhonete do pai dele, o advogado Leonildo Severo, a qual foi tomada por dois criminosos. Os assaltantes percorreram cerca de 100 km com o estudante no carro e depois o mataram, deixando o corpo às margens dessa estrada.
Os dois suspeitos do crime, Márcio Marciano e Rafael Massuco dos Santos, foram presos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-163, já próximo de Campo Grande, com a caminhonete roubada.
Márcio e Rafael são apontados pelo Ministério Público Estadual (MPE) como autores do roubo e do assassinato do estudante. Os dois estão presos no presídio Osvaldo Florentino Leite, o “Ferrugem”, em Sinop, aguardando julgamento.
Eric, que fazia medicina na Unisul, em Tubarão (SC), não ofereceu nenhuma resistência aos criminosos. Porém, os bandidos decidiram matá-lo porque falaram ao telefone o nome de outros comparsas e temiam que a vítima informasse às autoridades após ser colocado em liberdade.
Autor: Max Aguiar | Fonte: Redação/ Hiper Noticias | Cidade: Mato Grosso
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